Jesus quis dizer que não dá pra rejeitar quem ele é e, ao mesmo tempo, dizer que se está do lado de Deus. Ele disse isso numa situação em que seus opositores tinham acabado de ver uma obra de Deus, mas se recusavam a reconhecê-la.
Em Mateus 12, Jesus liberta um homem que estava sob o poder de um demônio e não conseguia enxergar nem falar. O povo fica admirado e começa a perguntar se Jesus não seria o Filho de Davi — o rei prometido por Deus. Os fariseus, porém, dizem que ele expulsava demônios pelo poder de Satanás (Mateus 12:22-24).
Jesus responde mostrando que essa acusação não faz sentido: por que Satanás ajudaria a destruir o próprio domínio? Então ele apresenta a explicação que os fariseus não queriam aceitar: se ele expulsava demônios pelo Espírito de Deus, aquilo era um sinal de que o reino de Deus havia chegado até eles (Mateus 12:25-28).
É nesse ponto que Jesus afirma que quem não está com ele está contra ele, e quem não ajunta com ele espalha (Mateus 12:30). Naquele confronto, ficar contra Jesus era ficar contra a obra que Deus estava fazendo por meio dele. Os líderes não estavam apenas deixando de entender um milagre; estavam chamando de obra do mal aquilo que Jesus fazia pelo Espírito de Deus.
Isso não significa que toda pessoa com dúvidas sinceras já seja igual àqueles fariseus. Eles tinham visto o que Jesus fez e escolheram acusá-lo de agir pelo poder de Satanás. A advertência de Jesus é contra rejeitá-lo mesmo diante daquilo que mostra quem ele é.
Talvez pareça haver uma contradição, porque Jesus também disse aos discípulos que quem não é contra eles é por eles (Marcos 9:40). Mas ali o assunto era outro: os discípulos queriam impedir um homem de expulsar demônios em nome de Jesus porque ele não acompanhava o grupo deles. Jesus os corrigiu. Não andar junto com os discípulos não significava estar contra Jesus. Já em Mateus 12, os fariseus estavam se opondo ao próprio Jesus e atribuindo sua obra a Satanás.
Portanto, a frase nos convida a levar a sério a pergunta sobre quem Jesus é. Podemos procurar entendê-lo, trazer nossas dúvidas e examinar o que ele disse e fez. O que não podemos é tratar essa decisão como algo sem importância: se Jesus é o Messias enviado por Deus, rejeitá-lo não é uma maneira de permanecer do lado dele.