Os cristãos não precisam guardar a Lei de Moisés como Israel a guardava. Isso não significa que ela perdeu seu valor. Deus deu aquela Lei a Israel, e ela continua nos ensinando sobre quem Deus é, o que ele pensa do pecado e por que precisamos de Jesus. A chave é ler a Lei como parte da história que chega a Cristo, sem tratar cada mandamento dado a Israel como uma ordem direta pra igreja.
A Lei incluía orientações sobre adoração, sacrifícios, alimentação, justiça e a vida diária do povo. Algumas dessas regras distinguiam Israel das outras nações. Outras mostravam, de maneira bem direta, como as pessoas deviam tratar umas às outras. Ao ler essas orientações, vemos que Deus se importa tanto com a adoração que recebe quanto com a maneira como seu povo vive. A Lei é santa, justa e boa, como Paulo diz em Romanos 7:12.
Ela também nos ajuda a perceber a gravidade do pecado. Quando Deus proíbe o roubo, a mentira ou a injustiça, fica claro que essas coisas não são apenas escolhas ruins: elas contrariam o que ele considera certo. Mas a Lei faz mais do que apontar o erro dos outros. Ela nos leva a reconhecer o nosso próprio pecado. Paulo explica que a Lei nos dá conhecimento do pecado, mas não consegue nos tornar justos diante de Deus (Romanos 3:20). Saber o que é certo não basta pra conseguir viver sempre do jeito certo.
É por isso que a Lei nos ajuda a entender a necessidade de Jesus. Os sacrifícios ensinavam a Israel que o pecado precisava ser tratado com seriedade e que o perdão vinha de Deus. Os sacerdotes serviam como intermediários na adoração do povo. Segundo a carta aos Hebreus, esses sacrifícios precisavam ser repetidos e não podiam eliminar definitivamente o pecado. Jesus, porém, ofereceu a si mesmo uma vez por todas e é o mediador da nova aliança (Hebreus 9:11-15; 10:1-14). Não precisamos oferecer os sacrifícios da Lei porque Cristo fez o que eles não podiam fazer.
Então, o que significa dizer que não estamos mais sob a Lei? Significa que a aliança feita com Israel por meio de Moisés não é a aliança que governa a relação dos cristãos com Deus. Por isso, não seguimos as regras de alimentação nem repetimos os sacrifícios daquela aliança. Paulo diz que, em Cristo, não estamos debaixo da Lei e que o Espírito nos conduz (Gálatas 5:18). Isso não é permissão pra pecar. O próprio Novo Testamento continua ensinando os cristãos a rejeitar o pecado e a viver de um modo que agrada a Deus (Romanos 6:1-2; Gálatas 5:13-23).
Jesus mostrou o que está no centro da Lei ao destacar dois mandamentos que já estavam nela: amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo (Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18; Mateus 22:37-40). Assim, mesmo quando um mandamento específico não se aplica à igreja da mesma forma que se aplicava a Israel, ainda podemos perguntar o que ele nos mostra sobre Deus e sobre o cuidado que ele espera das pessoas.
Portanto, não estudamos a Lei de Moisés pra conquistar a aceitação de Deus por meio dela. Nós a estudamos porque ela faz parte das Escrituras e nos ensina a conhecer melhor o Deus que a deu. Ela mostra a seriedade do pecado, ensina o valor do amor e da justiça e nos ajuda a compreender por que Cristo é tão necessário.