O apolinarianismo é um antigo ensino sobre Jesus que tentava explicar como ele podia ser Deus e homem ao mesmo tempo. A resposta que ele dava era esta: Jesus tinha um corpo humano, mas não uma mente humana como a nossa. No lugar dela estaria o próprio Filho de Deus, chamado de *Verbo* em João 1:14.
Esse ensino recebeu o nome de Apolinário de Laodiceia, um bispo do século IV. Ele queria preservar a divindade de Jesus e sua vida sem pecado. O problema é que, ao fazer isso, acabou tirando algo essencial da humanidade de Cristo. Se Jesus não tinha uma mente humana, então não era plenamente humano.
A Bíblia apresenta Jesus de outra maneira. João diz que o Verbo se tornou humano (João 1:14), e Paulo afirma que a plenitude da divindade habita em Cristo (Colossenses 2:9). Ao mesmo tempo, Jesus viveu uma vida humana de verdade: cresceu em sabedoria (Lucas 2:52), sentiu profunda tristeza (Mateus 26:38) e enfrentou tentações, mas não pecou (Hebreus 4:15). Esses textos não explicam cada detalhe de como sua divindade e sua humanidade se unem. Mas não nos dão motivo pra pensar que o Filho de Deus precisou substituir a mente humana de Jesus.
Isso importa também pra entender o que Jesus fez por nós. Hebreus 2:17 diz que ele se tornou semelhante a seus irmãos pra agir em favor deles diante de Deus. Sua humanidade não era apenas um corpo no qual Deus habitava. O Filho de Deus assumiu uma vida humana real e, sem pecado, morreu por nós.
Por isso, a igreja rejeitou o ensino de Apolinário, inclusive no Concílio de Constantinopla, em 381. A conclusão cristã é simples, embora profunda: Jesus é plenamente Deus e plenamente humano, uma só pessoa. O apolinarianismo erra porque procura proteger uma dessas verdades diminuindo a outra.