Depende de qual tradição cristã está respondendo. As Bíblias católicas incluem esses livros no Antigo Testamento e os consideram Escritura. As Bíblias protestantes não os incluem, embora reconheçam que alguns deles ajudam a conhecer a história e o pensamento judaico do período anterior a Jesus. Algumas igrejas ortodoxas também os recebem, mas suas listas não são todas iguais.
Nas Bíblias católicas, são sete livros completos a mais: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus. Há também trechos adicionais em Ester e Daniel. Os católicos costumam chamar esses escritos de deuterocanônicos. Muitos protestantes usam o nome apócrifos. É bom saber que os nomes nem sempre indicam exatamente a mesma lista: algumas coleções chamadas “apócrifas” incluem outros livros que nem fazem parte da Bíblia católica.
A diferença surgiu em torno de uma pergunta: quais escritos devem ser recebidos como Palavra de Deus? Os livros deuterocanônicos foram escritos nos séculos próximos ao tempo de Jesus. Eles circularam entre judeus e cristãos, especialmente em comunidades que liam as Escrituras em grego. Mas seu reconhecimento como Escritura não foi igual em todos os lugares.
Os protestantes seguem, no Antigo Testamento, o conjunto de livros preservado na Bíblia hebraica. A maneira de contar esses livros é diferente, mas o conteúdo corresponde aos 39 livros do Antigo Testamento protestante. Além disso, os protestantes entendem que o uso dos deuterocanônicos pela igreja antiga não é suficiente para estabelecer sua autoridade bíblica. Por isso, podem ler, por exemplo, 1 e 2 Macabeus como fontes importantes pra entender acontecimentos daquele período, sem colocá-los no mesmo nível dos livros bíblicos.
Os católicos entendem que esses escritos também foram recebidos e usados pela igreja como Escritura. O Concílio de Trento, no século XVI, confirmou oficialmente a lista católica durante a Reforma Protestante. Isso não quer dizer que os livros tenham sido escritos ou começado a ser lidos naquela época; a discussão sobre seu lugar na Bíblia é bem mais antiga.
Às vezes se diz que o Novo Testamento não cita esses livros e que isso encerraria a questão. Esse argumento, sozinho, não resolve o assunto: um livro não deixa de ser bíblico apenas porque não foi citado no Novo Testamento. Há também discussões sobre possíveis referências indiretas. A questão principal continua sendo se esses escritos devem ter a mesma autoridade dos demais livros do Antigo Testamento.
Essa diferença tem consequências práticas. Em 2 Macabeus 12:43-45, por exemplo, aparece uma oração em favor de pessoas que morreram. Católicos e protestantes não leem essa passagem com a mesma autoridade ao discutir a oração pelos mortos.
Então, a resposta mais clara é esta: os deuterocanônicos pertencem à Bíblia católica, mas não ao cânon protestante — isto é, à lista de livros que os protestantes reconhecem como Escritura inspirada. Reconhecer essa diferença não exige desprezar esses escritos, nem fingir que a discussão sobre eles nunca existiu.