O Apócrifo de Gênesis é um texto judaico antigo que conta de novo algumas histórias do livro de Gênesis e acrescenta detalhes que não aparecem na Bíblia. Ele não é uma parte perdida de Gênesis. É uma obra escrita muitos séculos depois, que nos ajuda a conhecer como algumas pessoas daquela época entendiam essas histórias.
O texto foi encontrado entre os Pergaminhos do Mar Morto, descobertos a partir de 1947. O pergaminho está bastante danificado: faltam seu começo, seu fim e partes do meio. Por isso, nem sempre dá pra acompanhar a história inteira.
Nas partes que sobreviveram, a narrativa passa por Lameque, Noé e Abrão. Lameque, pai de Noé, fica inquieto com o nascimento do filho e procura saber se é mesmo seu pai. Mais adiante, o texto conta episódios ligados a Noé e ao dilúvio. Depois, acompanha Abrão, inclusive sua viagem ao Egito com Sarai e sua separação de Ló. Em vários momentos, os personagens falam como se estivessem contando a própria história. Isso faz parte da forma como a obra foi escrita; não quer dizer que Lameque, Noé ou Abrão tenham sido seus autores.
Um exemplo mostra bem a diferença entre esse texto e a Bíblia. Gênesis 12 conta que Abrão, ao ir pro Egito, pediu que Sarai dissesse ser sua irmã, porque temia ser morto por causa dela. O Apócrifo acrescenta um sonho antes desse acontecimento. Esse sonho não está no relato bíblico. É um detalhe da maneira como o autor antigo recontou a história.
Então, pra que serve ler o Apócrifo de Gênesis? Ele tem valor pra entendermos o pensamento judaico antigo e as perguntas que aqueles leitores faziam ao ler Gênesis. Mas precisamos manter clara a diferença: o livro de Gênesis é o texto bíblico; o Apócrifo de Gênesis é uma interpretação antiga que amplia algumas de suas histórias. Seus detalhes adicionais não devem ser apresentados como fatos que a Bíblia afirma.