Apegar-se a Deus é continuar do lado dele, confiando nele e vivendo de acordo com o que ele ensina. Não é uma aproximação física. É uma maneira de falar de um compromisso que não se abandona quando aparecem outras opções.
Em Deuteronômio 10, Moisés está falando ao povo de Israel sobre como responder a Deus. Ele reúne atitudes que andam juntas: temer a Deus, amá-lo, servi-lo, obedecer-lhe e apegar-se a ele (Deuteronômio 10:12-13, 20). Nesse contexto, *temer* não significa viver apavorado. Significa reconhecer quem Deus é e levar a sério o que ele diz. Apegar-se a ele é permanecer fiel a esse Deus, em vez de seguir outros deuses.
Por isso, apegar-se a Deus envolve tanto o coração quanto as escolhas. Uma pessoa pode dizer que ama a Deus, mas, se trata a vontade dele como algo sem importância, há uma diferença entre o que diz e o que faz. Moisés liga o amor a Deus à obediência e ao serviço justamente porque esse compromisso aparece na maneira de viver (Deuteronômio 11:22; Josué 22:5).
Isso não quer dizer que alguém precise ser perfeito pra se apegar a Deus. Quer dizer que, mesmo quando erra, não decide deixá-lo de lado. Volta a ouvir sua palavra, reconhece o erro e procura seguir o caminho que ele ensina.
Para os cristãos, essa fidelidade inclui permanecer em Jesus Cristo e no evangelho. Paulo lembra aos coríntios que a mensagem sobre a morte e a ressurreição de Jesus é aquela que eles receberam e à qual devem continuar firmes (1 Coríntios 15:1-4). Isso não significa conquistar a salvação pelo próprio esforço: ela é um presente de Deus, recebido pela fé (Efésios 2:8-9). Significa que confiar em Cristo não é apenas concordar com uma mensagem por um momento; é continuar confiando nele.
Então, a ideia de Deuteronômio 10:20 é simples e profunda: Deus não pede apenas que seu povo saiba quem ele é. Ele chama seu povo a amá-lo, confiar nele e permanecer fiel a ele.