Um cristão deve rejeitar o apartheid. Separar pessoas por raça e dar a umas mais direitos, oportunidades e poder do que a outras contraria a maneira como Deus nos chama a tratar o próximo.
A palavra *apartheid* ficou conhecida por causa da África do Sul. De 1948 ao início da década de 1990, o governo do país impôs leis que separavam as pessoas por raça. A população negra, embora fosse maioria, sofreu graves restrições: não tinha os mesmos direitos políticos e enfrentava limites sobre onde podia morar, estudar e trabalhar. O apartheid não era apenas o preconceito de algumas pessoas. Era a discriminação transformada em lei.
A Bíblia dá razões claras pra um cristão se opor a isso. Todos os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Portanto, a cor da pele ou a origem de alguém não determina seu valor. Tiago também condena o favoritismo: não é certo tratar uma pessoa como mais importante do que outra por sua posição social (Tiago 2:1-9). Esse princípio nos ajuda a perceber o erro de um sistema que concede privilégios a um grupo e nega direitos a outro por causa da raça.
Em Cristo, essa separação fica ainda mais claramente fora de lugar. A igreja nasceu reunindo pessoas de origens diferentes, e Pedro precisou aprender que não devia considerar alguém indigno por pertencer a outro povo (Atos 10:28, 34-35). Quando Paulo diz que judeus e gregos são um em Cristo, ele não está dizendo que suas diferenças desapareceram. Ele está dizendo que ninguém tem uma posição superior diante de Deus por causa de sua origem (Gálatas 3:28). Apocalipse 7:9 também apresenta pessoas de todos os povos reunidas diante de Deus.
Isso não significa que o cristão deva condenar apenas o apartheid do passado. Ele também precisa examinar as próprias atitudes: ouvir quem sofre discriminação, recusar ideias de superioridade racial e agir com justiça nas situações em que pode fazer diferença. Como o apartheid foi imposto por leis e instituições, combatê-lo exigia mais do que pedir que as pessoas fossem gentis umas com as outras. Era preciso acabar com aquelas leis injustas.
Em resumo, um cristão não pode apoiar a separação racial nem tratar a desigualdade que ela produz como algo normal. Amar o próximo inclui reconhecer sua dignidade e se opor à injustiça que lhe tira direitos (Miqueias 6:8; Lucas 10:25-37).