Sentir-se atraído por alguém e desejar estar perto dessa pessoa não é errado. A Bíblia fala com naturalidade do carinho e do desejo entre um homem e uma mulher, especialmente em Cânticos. Mas ela também nos ajuda a perceber uma diferença importante: sentir uma paixão forte não é a mesma coisa que amar alguém de verdade.
Quando a gente se apaixona, é comum pensar muito na pessoa, gostar de sua companhia e sentir vontade de construir uma vida com ela. Esses sentimentos podem fazer parte do começo de um relacionamento bonito. O cuidado é não deixar que eles decidam tudo sozinhos. Uma emoção intensa pode aproximar duas pessoas, mas ainda não mostra se elas se conhecem bem, se tratam uma à outra com respeito ou se estão prontas pra assumir um compromisso.
Em 1 Coríntios 13:4-7, Paulo descreve o amor por aquilo que ele faz: é paciente, bondoso, não age com egoísmo e não se alegra com a injustiça. Isso não significa que amar seja *só* uma decisão, sem alegria ou afeto. Significa que o amor não desaparece simplesmente porque aquele entusiasmo do começo diminuiu. Ele também aparece nas atitudes: ouvir, dizer a verdade, respeitar limites, pedir perdão e procurar o bem da outra pessoa.
Por isso, vale observar o que a paixão está produzindo. Ela está ajudando vocês a se conhecerem com sinceridade ou fazendo você ignorar problemas sérios? Há respeito mesmo quando vocês discordam? Existe liberdade pra dizer “não”? Perguntas assim ajudam a enxergar a pessoa como ela é, em vez de tomar a força do sentimento como prova de que o relacionamento dará certo. Provérbios 4:23 aconselha a cuidar do coração; nesse caso, isso inclui não entregar decisões importantes apenas ao impulso.
Também é possível sentir atração por alguém com quem não seria certo iniciar um relacionamento. Nesse caso, sentir algo não obriga ninguém a agir de acordo com o sentimento. A Bíblia chama marido e mulher a serem fiéis um ao outro (Hebreus 13:4). Portanto, apaixonar-se por outra pessoa não torna correto romper uma promessa feita no casamento.
Então, a Bíblia não manda ter medo de se apaixonar. Ela nos ensina a receber esses sentimentos com alegria e, ao mesmo tempo, com sabedoria. A paixão pode ser um começo; o amor se conhece melhor com o tempo, nas escolhas e no modo como duas pessoas se tratam.