Um antinomiano é alguém que entende a graça de Deus como uma licença pra viver sem obedecer aos mandamentos morais dele. A palavra significa, literalmente, “contra a lei”. No contexto cristão, ela costuma se referir à ideia de que, já que Jesus salva pela graça, não importa como a pessoa vive depois.
A dúvida por trás disso é compreensível. A Bíblia diz que ninguém é aceito por Deus por conseguir obedecer perfeitamente à lei. Somos salvos pela graça, por meio da fé em Jesus Cristo, e não pelas nossas obras (Efésios 2:8-9). Ela também diz que o cristão não está “debaixo da lei”, mas “debaixo da graça” (Romanos 6:14). Então, isso quer dizer que ele pode fazer o que quiser?
Paulo responde a essa pergunta logo no versículo seguinte: não (Romanos 6:15). A graça não torna o pecado aceitável. Ela nos liberta de tentar conquistar a salvação pela obediência, mas não nos liberta pra mentir, roubar ou tratar mal as pessoas.
É importante distinguir essas duas coisas. O cristão não precisa cumprir a lei dada a Israel como condição pra ser salvo. Isso, porém, não significa que Deus deixou de se importar com a maneira como vivemos. O próprio Novo Testamento orienta os seguidores de Jesus a abandonar a mentira, parar de roubar, trabalhar honestamente, repartir com quem precisa e usar as palavras pra fazer o bem, não pra ferir (Efésios 4:25-32).
A obediência não compra a salvação; ela faz parte da vida transformada pela fé. Quando Tiago diz que a fé sem obras é morta, ele não está ensinando que boas ações substituem a fé em Cristo. Ele está mostrando que uma fé verdadeira não fica só no discurso: ela aparece no modo de viver (Tiago 2:14-18).
Isso também não quer dizer que um cristão nunca mais peque. Ele ainda precisa reconhecer seus erros, confessá-los e buscar viver de acordo com o que Jesus ensinou (1 João 1:9; 2:3-6). A diferença está em não usar a graça como desculpa pra continuar no pecado sem se importar com isso.
Portanto, o erro do antinomianismo é pegar uma verdade preciosa — somos salvos pela graça, não por merecimento — e tirar dela uma conclusão que a Bíblia rejeita. A graça de Deus não é permissão pra desobedecer. Ela nos recebe em Cristo e nos ensina a viver de uma maneira que agrada a Deus.