O antinatalismo é a ideia de que trazer uma pessoa ao mundo é moralmente errado. Quem defende essa posição pode dar razões diferentes: alguns pensam no sofrimento que a criança poderá enfrentar; outros se preocupam com os danos que os seres humanos causam ao planeta ou uns aos outros. A ideia central, porém, é a mesma: seria melhor não gerar novos seres humanos.
A preocupação com o sofrimento é séria. A Bíblia não trata a vida como se fosse fácil. Ela fala de injustiça, doença, perdas e momentos em que pessoas desejam não ter nascido, como aconteceu com Jó em meio à sua dor (Jó 3). Por isso, não seria justo responder a alguém preocupado com o futuro de uma criança simplesmente dizendo que sua preocupação não importa.
Mas a Bíblia não conclui que, porque a vida pode trazer sofrimento, o nascimento de uma pessoa seja um mal. Ela começa dizendo que Deus criou os seres humanos à sua imagem (Gênesis 1:26-28). Isso significa que a vida humana tem valor, mesmo num mundo em que há muita coisa errada. A Bíblia também apresenta os filhos como uma bênção (Salmo 127:3), e Jesus recebeu as crianças com carinho, em vez de tratá-las como pessoas que não deveriam estar aqui (Mateus 19:13-14).
Isso não quer dizer que todo cristão precisa ter filhos. A Bíblia também fala com respeito de quem permanece solteiro e não forma uma família com filhos (1 Coríntios 7:7-8). Um casal pode ter motivos sérios pra não ter filhos ou pra adiar essa decisão. A diferença está entre tomar uma decisão responsável sobre a própria vida e afirmar que *ninguém* deveria nascer porque existir é, em si, algo ruim. É essa última ideia que entra em conflito com a maneira como a Bíblia vê a vida humana.
O mesmo cuidado vale pra questão ambiental. Deus confiou aos seres humanos a tarefa de cuidar da terra (Gênesis 2:15). Destruir o ambiente ou ignorar as consequências das nossas escolhas não combina com essa responsabilidade. Mas cuidar da criação não exige considerar as pessoas um erro que precisa desaparecer.
Assim, a resposta cristã ao antinatalismo não é negar a dor do mundo. É reconhecer essa dor sem perder de vista o valor de quem vive nele. Jesus não ensinou que a solução seria impedir que novas pessoas existissem. Ele veio ao encontro de pessoas que sofrem e oferece esperança de que Deus, um dia, acabará com a morte e a dor (Apocalipse 21:4).