Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Se a lei de Israel punia a blasfêmia com a morte, qual é a diferença entre isso e o extremismo islâmico?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

Sim. A lei dada a Israel determinava a morte de quem blasfemasse contra o nome de Deus (Levítico 24:16). Não é preciso negar isso nem tratar a pena como se fosse leve. A pergunta importante é outra: essa lei autoriza os cristãos hoje a matar quem ofende a Deus? A resposta é não.

Na época de Moisés, Israel era um povo organizado como nação sob uma lei que tratava tanto da adoração a Deus quanto da vida civil. A pena para a blasfêmia fazia parte dessa lei. O texto de Levítico descreve um julgamento da comunidade, não uma autorização pra qualquer pessoa atacar alguém por conta própria. Ainda assim, era uma pena de morte, e é compreensível que isso cause dificuldade a quem lê.

Com a vinda de Jesus, o povo de Deus não passou a ser uma nova nação governada por aquelas leis civis. Jesus disse que seu reino não era deste mundo e explicou que, se fosse, seus seguidores lutariam por ele (João 18:36). Depois da ressurreição, ele enviou os discípulos pra anunciar o evangelho e fazer discípulos entre os povos, não pra tomar o controle de governos e obrigar as pessoas a adorá-lo (Mateus 28:19-20).

Essa diferença aparece também nas instruções dadas à igreja. Paulo ensinou que os cristãos devem lidar com pecados graves dentro da comunidade cristã, mas perguntou por que julgariam os que estão fora dela. Mesmo quando fala de disciplina na igreja, ele não manda aplicar uma pena civil ou usar violência (1 Coríntios 5:12-13). A blasfêmia continua sendo uma ofensa séria contra Deus; o que mudou não foi a santidade de Deus, mas a responsabilidade dada à igreja. Ela deve ensinar, corrigir e anunciar Cristo, não punir com a morte quem rejeita sua mensagem.

Por isso, a diferença não é que o Antigo Testamento nunca tenha previsto uma pena como essa. Previu. A diferença é que a lei civil do antigo Israel não é uma ordem pra igreja aplicar hoje. Quando um grupo religioso tenta impor a fé pela violência, não está seguindo o caminho que Jesus deu aos seus discípulos.

Também é importante falar com cuidado sobre o Islã. O extremismo islâmico não representa todos os muçulmanos, e não é correto dizer que o Islã só se espalha pela força. Da mesma forma, cristãos já usaram o poder do Estado pra perseguir pessoas, e isso não deve ser escondido nem defendido. A questão aqui é o que Jesus ensinou seus seguidores a fazer. Ele os chamou a anunciar a verdade, não a forçar alguém a crer.