A Bíblia não diz com certeza quem eram esses “anjos”. Eles podem ter sido seres celestiais ligados às igrejas, mas também podem ter sido pessoas encarregadas de receber e transmitir as mensagens. O importante é não confundir o destinatário indicado no começo de cada carta com quem precisava ouvir o que Jesus dizia: as próprias igrejas.
Na visão de Apocalipse 1, João vê Jesus entre sete candelabros, segurando sete estrelas. Jesus explica que os candelabros representam sete igrejas e que as estrelas representam os “anjos” dessas igrejas (Apocalipse 1:12-20). Depois, cada mensagem começa com uma ordem pra escrever ao “anjo” de uma igreja.
A palavra grega traduzida por “anjo” significa “mensageiro”. Muitas vezes ela se refere a um ser celestial, como acontece em outras partes de Apocalipse. Mas também pode se referir a uma pessoa enviada com uma mensagem; ela é usada assim, por exemplo, em Mateus 11:10, a respeito de João Batista. Por isso, a palavra sozinha não resolve a dúvida.
Quem entende que eram mensageiros humanos observa que as cartas tratam de coisas que aconteciam dentro das congregações: perseverança, falsos ensinos, pecado e necessidade de arrependimento. Seria natural que um responsável pela igreja recebesse a mensagem e a lesse aos demais. Essa explicação faz sentido, mas o texto não diz que cada igreja tinha um único pastor chamado de “anjo”, nem informa que essas pessoas viajaram até João pra buscar as cartas.
Quem entende que eram anjos celestiais observa que esse é o sentido mais comum da palavra em Apocalipse. Nesse caso, os anjos estariam associados às igrejas na visão que João recebeu. A dificuldade é explicar por que mensagens dirigidas a comunidades humanas seriam endereçadas a seres celestiais. Mesmo assim, a linguagem de uma visão nem sempre descreve o modo como uma carta seria entregue na prática.
Então, dá pra considerar as duas interpretações, sem tratar nenhuma delas como um fato estabelecido pelo texto. O que Apocalipse deixa claro é que Jesus conhece cada igreja e fala diretamente à vida dela. No fim das mensagens, o chamado é pra que as igrejas ouçam o que o Espírito lhes diz (Apocalipse 2:7; 3:22). Se os “anjos” eram seres celestiais ou mensageiros humanos, as palavras de Jesus eram, acima de tudo, pras pessoas daquelas congregações.