Morôni não é um anjo mencionado na Bíblia. Ele é uma figura importante na história e nas crenças da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cujos membros também são conhecidos como mórmons.
Segundo o relato dessa igreja, Morôni viveu nas Américas muitos séculos atrás. Ele seria filho de Mórmon e teria terminado e escondido um registro escrito em placas de ouro. Depois de morrer, Morôni teria aparecido como mensageiro celestial a Joseph Smith, a partir de 1823, e lhe mostrado onde encontrar as placas. Smith afirmou ter traduzido esse registro, que foi publicado como o *Livro de Mórmon*. Essa é a origem do anjo representado com uma trombeta em alguns templos dos Santos dos Últimos Dias.
É importante separar o que essa igreja afirma do que a Bíblia ensina. A Bíblia não fala de Morôni, das placas de ouro nem das visitas a Joseph Smith. Por isso, não dá pra identificar Morôni como um anjo bíblico. Alguns Santos dos Últimos Dias associam Morôni ao anjo que anuncia uma mensagem em Apocalipse 14:6, mas o texto não dá nome àquele anjo nem o relaciona a Joseph Smith.
Do ponto de vista cristão evangélico, a pergunta mais importante não é se alguém poderia ter visto um anjo. É como avaliar a mensagem atribuída a ele. Em Gálatas 1:6-9, Paulo ensina que nem mesmo uma mensagem apresentada por um anjo deve ser aceita se anunciar um evangelho diferente daquele que os apóstolos ensinaram. Ou seja, a aparência ou a identidade alegada de um mensageiro não tornam sua mensagem verdadeira; ela precisa ser comparada com o evangelho de Cristo apresentado nas Escrituras.
Cristãos evangélicos entendem que ensinamentos próprios dos Santos dos Últimos Dias, incluindo suas afirmações sobre Deus e a necessidade de novas escrituras, entram em conflito com esse evangelho. Por essa razão, não aceitam Morôni como um mensageiro enviado por Deus para restaurá-lo. Isso, porém, não prova o que aconteceu nas experiências relatadas por Joseph Smith. A conclusão bíblica que se pode apresentar com segurança é esta: Morôni pertence ao relato religioso dos Santos dos Últimos Dias, não à Bíblia, e qualquer mensagem atribuída a ele deve ser examinada à luz do ensino de Jesus e dos apóstolos.