A Anistia Internacional é uma organização criada em 1961 para defender os direitos humanos. Ela denuncia abusos cometidos por governos e outros grupos, faz campanhas em favor de pessoas presas injustamente e trabalha contra a tortura, a perseguição e a pena de morte. Não é uma igreja nem uma organização cristã; suas posições são baseadas na maneira como ela entende os direitos humanos.
Um cristão pode reconhecer o valor de parte desse trabalho sem concordar com tudo o que a organização defende. A Bíblia nos chama a amar o próximo e a agir com justiça, especialmente quando alguém está sofrendo ou sendo tratado com crueldade (Mateus 22:37-39; Provérbios 31:8-9). Por isso, defender uma pessoa perseguida por sua fé, denunciar tortura ou pedir um julgamento justo são atitudes que merecem atenção e apoio, independentemente de quem esteja realizando esse trabalho.
Ao mesmo tempo, a Anistia Internacional também defende posições sobre aborto, direitos de pessoas LGBTQ, descriminalização do trabalho sexual e fim da pena de morte. Cristãos podem ter sérias objeções a algumas dessas posições. É importante, porém, entender o que cada proposta significa antes de avaliá-la. Por exemplo, defender que uma pessoa não seja agredida ou presa injustamente por sua sexualidade não é a mesma coisa que afirmar que toda conduta sexual é aprovada pela Bíblia. Da mesma forma, a defesa da descriminalização do trabalho sexual não deve ser confundida com apoio ao tráfico de pessoas. Já sobre a pena de morte, há divergências entre cristãos que levam a Bíblia a sério.
Então, a resposta não precisa ser “aprovar tudo” ou “rejeitar tudo”. O cristão pode apoiar a defesa de vítimas de injustiça e, ao mesmo tempo, discordar de outras campanhas da Anistia Internacional por causa de suas convicções bíblicas. Se estiver pensando em doar, participar de uma campanha ou divulgar uma posição da organização, vale examinar aquela iniciativa específica. Amar o próximo inclui levar o sofrimento das pessoas a sério; amar a Deus inclui não deixar de avaliar, à luz das Escrituras, as ideias que nos pedem para apoiar.