Androcentrismo é a tendência de tomar o homem como medida principal das coisas. Isso acontece, por exemplo, quando uma sociedade conta sua história quase só pelas realizações masculinas ou considera menos importantes as opiniões e contribuições das mulheres. Nem sempre é algo intencional. Às vezes, as pessoas fazem isso sem perceber.
A Bíblia foi escrita em sociedades nas quais os homens ocupavam muitos dos espaços públicos de liderança. Por isso, é importante distinguir duas coisas: o que a Bíblia relata sobre aquelas sociedades e o que ela ensina sobre o valor das pessoas. Um costume aparecer numa história bíblica não significa, por si só, que Deus o aprova.
Logo no começo, Gênesis afirma que Deus criou homem e mulher à sua imagem (Gênesis 1:27). O valor da mulher, portanto, não depende da posição que a sociedade lhe dá, da sua aparência ou do reconhecimento de um homem. Ela tem dignidade porque foi criada por Deus. E, em Cristo, homens e mulheres têm o mesmo acesso à promessa de Deus (Gálatas 3:28).
As histórias bíblicas também mostram mulheres cuja fé e participação não foram deixadas de lado. Débora julgou Israel e ajudou a conduzir o povo num período de conflito (Juízes 4–5). Abigail agiu com sabedoria e impediu Davi de cometer uma vingança precipitada (1 Samuel 25). Ester usou sua posição pra defender seu povo (Ester 4–8). Esses relatos não apresentam as mulheres como personagens sem importância.
Jesus também tratou mulheres com atenção e respeito. Quando Maria se sentou pra ouvi-lo, ele defendeu a escolha dela de aprender com ele (Lucas 10:38–42). Depois da ressurreição, Maria Madalena esteve entre as primeiras pessoas a encontrá-lo e recebeu dele a tarefa de contar a notícia aos discípulos (João 20:11–18).
Isso quer dizer que não existe nenhuma discussão sobre o papel de homens e mulheres na Bíblia? Não. Cristãos que reconhecem a autoridade das Escrituras entendem de maneiras diferentes algumas passagens sobre funções na família e na igreja. Mas essa discussão não muda o ponto essencial: diferença de funções, quando alguém entende que ela existe, não dá a nenhum homem o direito de tratar uma mulher como inferior.
A Bíblia conduz nossa atenção a Jesus, não à superioridade masculina. E o modo como Jesus ensinou seus seguidores a viver vai na direção contrária ao desprezo pelos outros: ele chamou os seus à humildade e a considerar os interesses alheios (Filipenses 2:3–5). Assim, se androcentrismo significa diminuir ou ignorar as mulheres por serem mulheres, ele não combina com o valor que Deus lhes dá.