Em 1 João 1:6, andar em trevas significa viver de um jeito contrário a Deus enquanto se diz que tem comunhão com ele. João está falando da diferença entre o que uma pessoa afirma e a maneira como ela vive. Não basta dizer “eu conheço a Deus” se, na prática, a pessoa escolhe continuar no pecado e não quer abandonar esse caminho.
No começo da carta, João diz que Deus é luz e que nele não há treva nenhuma (1 João 1:5). A imagem fica mais fácil de entender assim: a luz representa o que é verdadeiro, puro e coerente com quem Deus é. As trevas representam o pecado e a mentira. Por isso, João diz que não faz sentido afirmar que vivemos perto de Deus e, ao mesmo tempo, viver deliberadamente contra a vontade dele.
Mas isso não significa que o cristão nunca peca. O próprio João esclarece, logo em seguida, que seria mentira dizer que não temos pecado. E ensina que, quando pecamos, devemos confessar nossos pecados a Deus (1 João 1:8–9). A diferença não é entre uma pessoa perfeita e outra imperfeita. É entre quem reconhece seu pecado e se volta pra Deus, e quem prefere continuar nele enquanto finge que está tudo bem.
“Andar” fala do rumo habitual da vida. Uma pessoa pode tropeçar, reconhecer o erro e buscar a ajuda de Deus pra mudar. Outra pode fazer do pecado uma prática, justificá-lo e não querer deixá-lo. É esse segundo modo de viver que João denuncia. A mesma carta diz que alguém não pode afirmar que está na luz e, ao mesmo tempo, odiar seu irmão (1 João 2:9–11). O modo como tratamos as pessoas também mostra se nossas palavras sobre Deus são sinceras.
A saída não é tentar parecer justo por conta própria. João aponta pra Jesus Cristo, cujo sangue nos purifica do pecado, e diz que ele intercede por nós quando pecamos (1 João 1:7; 2:1–2). Portanto, andar na luz não é esconder as falhas nem afirmar que já vencemos todos os pecados. É viver diante de Deus com sinceridade: reconhecer o que está errado, confiar em Cristo e procurar obedecer a ele.