“Ancião de Dias” é o nome que Daniel usa para Deus numa visão. Não quer dizer que Deus envelhece. Quer dizer que ele já existia antes de todos os reinos e de todas as pessoas que aparecem naquela visão. Ele não teve começo e não deixará de existir. Como diz o Salmo 90:2, Deus é eterno.
Em Daniel 7, Daniel vê governantes e reinos representados por animais assustadores. Eles parecem poderosos, mas não têm a palavra final. Então a cena muda: o Ancião de Dias se senta no trono, livros são abertos e o julgamento começa (Daniel 7:9-10). Essa é a ideia principal do título naquele trecho: Deus sempre existiu e tem autoridade pra julgar até os poderes que parecem invencíveis.
A aparência descrita na visão ajuda a entender quem está no trono. As roupas brancas e os cabelos brancos destacam sua pureza e sua dignidade; não são um retrato de Deus como alguém de idade avançada. O fogo ligado ao trono combina com a cena de julgamento. Daniel está descrevendo, por meio de imagens, a grandeza de Deus.
Mais adiante, Daniel vê alguém “semelhante a um filho de homem” se aproximar do Ancião de Dias e receber dele autoridade e um reino que não terá fim (Daniel 7:13-14). Jesus usou o título “Filho do Homem” ao falar de si mesmo, e o Novo Testamento relaciona a ele essa autoridade (Marcos 14:61-62). Por isso, na leitura cristã, a cena mostra o Pai concedendo o reino ao Filho. Daniel apresenta os dois de maneira distinta nessa visão; o versículo 22, que menciona novamente o Ancião de Dias, não exige que ele seja identificado com Jesus.
Assim, chamar Deus de “Ancião de Dias” é reconhecer algo muito importante: reinos surgem e desaparecem, mas Deus permanece. Ele vê o que acontece, julga com autoridade e garante que a injustiça não terá a palavra final (Daniel 7:21-22, 27).