Anás e Caifás eram líderes religiosos judeus na época de Jesus. Caifás era o sumo sacerdote em exercício, responsável por uma das funções mais importantes da vida religiosa de Israel. Anás, seu sogro, já tinha ocupado esse cargo, mas continuava sendo uma figura influente. Isso ajuda a entender por que os dois aparecem nos relatos da prisão de Jesus.
Depois que Jesus foi preso, foi levado primeiro a Anás, que o interrogou sobre seus discípulos e seus ensinamentos. Em seguida, Anás o enviou a Caifás (João 18:12-24). Ali, Jesus foi interrogado diante dos líderes religiosos. Eles procuravam testemunhos que justificassem condená-lo, mas os relatos apresentados não concordavam entre si (Marcos 14:55-59).
Então Caifás perguntou diretamente a Jesus se ele era o Cristo, o Filho de Deus. Jesus respondeu afirmativamente e falou da autoridade que receberia junto de Deus. Caifás considerou essa resposta uma blasfêmia, e os presentes julgaram Jesus merecedor da morte (Marcos 14:61-64). Como a execução dependia da autoridade romana, Jesus foi levado a Pilatos. Pilatos não encontrou nele culpa que justificasse a condenação, mas acabou entregando-o pra ser crucificado (João 18:28–19:16).
Caifás já havia defendido a morte de Jesus antes da prisão. Quando os líderes religiosos temeram que a popularidade de Jesus provocasse uma reação dos romanos contra a nação, Caifás argumentou que seria melhor um homem morrer pelo povo do que todos sofrerem as consequências (João 11:47-50). Ele estava pensando em proteger a posição da nação diante de Roma. João, porém, mostra que suas palavras tinham um significado maior, que Caifás não pretendia: Jesus morreria pelo povo e reuniria os filhos de Deus (João 11:51-52). Caifás queria eliminar Jesus; Deus usou até aquela decisão injusta pra cumprir seu propósito de salvação. Isso não torna justa a atitude de Caifás.
A história dos dois não termina com a morte de Jesus. Mais tarde, Anás e Caifás aparecem entre os líderes diante dos quais Pedro e João foram interrogados por anunciar a ressurreição de Jesus após a cura de um homem que não conseguia andar (Atos 3:1-10; 4:5-7). Pedro disse a eles que o homem havia sido curado pelo poder de Jesus — aquele que eles haviam crucificado e que Deus ressuscitou. Também afirmou que a salvação se encontra em Jesus (Atos 4:8-12). Os líderes ordenaram que os apóstolos parassem de falar em seu nome, mas Pedro e João se recusaram (Atos 4:18-20).
Assim, Anás e Caifás participaram da oposição a Jesus e, depois, à pregação dos apóstolos. Ao mesmo tempo, o relato de Caifás mostra algo importante: a intenção daqueles líderes era condenar Jesus, mas sua morte não impediu o plano de Deus. Segundo o evangelho, foi por meio dela que Deus abriu o caminho da salvação pra quem crê em Cristo.