Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Quem eram os anabatistas e em que eles acreditavam?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Os anabatistas eram cristãos que, no século XVI, defendiam que o batismo deveria acontecer depois que a pessoa decidisse seguir Jesus. Na época, a maioria das pessoas era batizada ainda bebê. Por isso, quando alguém já batizado na infância recebia o batismo após professar sua fé, os opositores diziam que aquela pessoa estava sendo batizada de novo. Daí veio o nome *anabatistas*, que significa “rebatizadores”. Eles, porém, não consideravam o batismo infantil um batismo válido e, por isso, não achavam que estavam batizando alguém pela segunda vez.

O movimento surgiu durante a Reforma Protestante, especialmente a partir de 1525, na região de Zurique, na atual Suíça. Lutero e outros reformadores questionavam ensinamentos da Igreja Católica, mas continuavam batizando crianças. Os primeiros anabatistas queriam ir além nesse ponto: entendiam que a igreja deveria ser formada por pessoas que cressem em Cristo e escolhessem segui-lo, e não simplesmente por todos os que nascessem numa sociedade considerada cristã.

Eles se apoiavam, por exemplo, no relato de Atos 2:41, em que as pessoas recebem a mensagem anunciada por Pedro e então são batizadas. Também viam na ordem de Jesus de fazer discípulos e batizá-los uma ligação entre aprender a segui-lo e receber o batismo (Mateus 28:19-20). Outros cristãos interpretam essas passagens de maneira diferente e defendem o batismo infantil. Portanto, o texto bíblico precisa ser distinguido da conclusão que cada grupo tira dele.

Mas a questão não era só o batismo. Para muitos anabatistas, seguir Jesus deveria mudar a maneira de viver. Eles davam grande importância aos ensinos de Jesus sobre amar os inimigos, não revidar e tratar as pessoas com misericórdia (Mateus 5:38-44). Por isso, muitos se recusavam a participar de guerras ou a usar a violência. Também defendiam que a igreja não deveria obrigar ninguém a crer nem depender do governo pra impor suas decisões. A fé, para eles, precisava ser uma escolha verdadeira.

Havia diferenças entre os grupos. Alguns davam mais destaque à vida simples e à ajuda mútua. Os huteritas, por exemplo, passaram a viver em comunidades que compartilham seus bens, inspirados também no cuidado mútuo descrito em Atos 4:32-35. Isso não quer dizer que todos os anabatistas viviam da mesma forma. E, embora a não violência tenha se tornado uma marca importante do movimento, seria impreciso dizer que todo grupo chamado anabatista a praticou.

Essas convicções tinham um custo. Autoridades católicas e protestantes perseguiam os anabatistas, em parte porque rejeitar o batismo infantil também colocava em dúvida a ligação entre igreja e governo que existia naquela época. Muitos foram presos, expulsos ou mortos.

Hoje, os grupos mais conhecidos que vieram dessa tradição são os menonitas, os huteritas e os amish. Eles compartilham raízes históricas, mas não são iguais entre si. Os amish, por exemplo, são conhecidos por regras comunitárias mais rigorosas sobre vestuário e uso de certas tecnologias; isso não descreve todos os menonitas nem todos os anabatistas.

É importante não confundir os anabatistas do século XVI com todos os grupos cristãos anteriores que criticaram a Igreja Católica. A ideia de que eles formaram uma única sequência ininterrupta de igrejas desde os apóstolos não é demonstrada pela história. Também não é correto dizer que ninguém batizava crianças antes do século V: essa prática já era conhecida séculos antes da Reforma.

Em poucas palavras, os anabatistas defendiam que a fé em Jesus deveria ser assumida pessoalmente, expressa no batismo e vivida no dia a dia. Sua grande preocupação era que a igreja fosse uma comunidade de discípulos que não apenas falassem de Jesus, mas procurassem obedecer ao que ele ensinou.