Paulo não está dizendo que o amor de Cristo é impossível de conhecer. Ele está dizendo que podemos conhecê-lo de verdade, mas nunca compreendê-lo por completo. É por isso que, em Efésios 3:19, ele ora para que os cristãos conheçam esse amor, mesmo sabendo que ele vai além de tudo o que conseguimos entender.
A própria vida de Jesus nos mostra esse amor. Ele não apenas falou sobre amar: entregou a vida por nós. E fez isso quando ainda éramos pecadores, não depois que nos tornamos merecedores do seu cuidado (Romanos 5:8). Assim, podemos saber *como* Cristo nos ama. O que não conseguimos é medir plenamente a grandeza desse amor.
Vale olhar para o restante da oração de Paulo. Ele pede que Deus fortaleça os cristãos por meio do seu Espírito e que Cristo habite no coração deles pela fé. Depois, pede que possam compreender, junto com todos os outros cristãos, as dimensões do amor de Cristo (Efésios 3:14-19). Paulo não está falando apenas de aprender uma informação nova. Ele quer que esse amor se torne cada vez mais real pra eles, à medida que vivem pela fé.
Por isso não há contradição na frase. Conhecer não é o mesmo que conhecer tudo. Já podemos confiar no amor de Cristo porque ele se revelou no que fez por nós. Ao mesmo tempo, sempre haverá mais pra entender sobre a bondade de alguém que nos amou mesmo sem merecermos.
Esse amor também muda a maneira como tratamos as pessoas. Jesus ensinou seus discípulos a amar uns aos outros como ele os amou (João 13:34-35). Quanto mais entendemos o que Cristo fez por nós, mais aprendemos a amar sem esperar que os outros primeiro façam por merecer.
Portanto, o amor que ultrapassa todo o conhecimento é o amor de Cristo por nós: um amor que podemos conhecer, receber e demonstrar, mas que nunca conseguiremos compreender em toda a sua grandeza.