Sim. Um cristão pode ter uma amizade verdadeira com uma pessoa gay. Não precisa evitar alguém por causa da sua orientação sexual, nem tratar essa pessoa como um problema a ser resolvido. Jesus se aproximava de pessoas que outros preferiam manter à distância, e ensinou seus seguidores a amar o próximo (Marcos 2:15-17; Lucas 10:25-37). Os Evangelhos não dizem se Jesus encontrou alguém que hoje se identificaria como gay, então não precisamos inventar esse encontro pra entender o exemplo que ele deixou.
A dúvida costuma aparecer porque cristãos têm convicções diferentes sobre relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Na interpretação cristã tradicional, a união sexual foi estabelecida por Deus para o casamento entre homem e mulher. Quem entende assim pode manter essa convicção e, ao mesmo tempo, ser amigo de uma pessoa gay. Amizade não exige concordar com todas as escolhas do outro. Isso vale pra qualquer amizade.
Também há cristãos que interpretam as passagens bíblicas sobre esse assunto de outra maneira e entendem que um relacionamento fiel entre duas pessoas do mesmo sexo não é condenado por elas. Essa diferença de interpretação é real. Mas ninguém precisa resolver todo esse debate antes de tratar outra pessoa com respeito, ouvi-la e se importar com ela.
Às vezes, alguém cita 2 Coríntios 6:14 como motivo pra não ter essa amizade. Ali, Paulo alerta os cristãos contra vínculos que os levem a abandonar a fidelidade a Deus. Ele não está ensinando que devemos evitar a amizade com quem pensa ou vive de maneira diferente. Se fosse assim, seria difícil seguir o exemplo do próprio Jesus, que se sentava à mesa com pessoas criticadas pelos religiosos da sua época (Marcos 2:15-17).
Uma boa amizade não deve ser uma estratégia disfarçada pra mudar alguém. É possível falar de Jesus com sinceridade quando surgir a oportunidade, sem fazer a pessoa sentir que só será bem-vinda se concordar com você. E é possível conversar sobre convicções difíceis sem reduzir alguém à sua sexualidade. Um amigo é uma pessoa inteira, com alegrias, dificuldades, interesses e uma história que merece ser ouvida.
Então, sim: um cristão pode ser amigo de uma pessoa gay — e deve tratá-la com o mesmo cuidado, honestidade e respeito que gostaria de receber. Convicções podem influenciar conversas e limites pessoais, mas não são motivo pra negar amizade.