Elifaz, Bildade e Zofar acertaram ao ir até Jó quando souberam do seu sofrimento. Mas erraram ao achar que sabiam por que ele estava sofrendo. Essa diferença é o ponto principal da história deles.
Jó havia perdido seus filhos, seus bens e sua saúde. Quando os três amigos chegaram, mal conseguiram reconhecê-lo. Eles choraram, sentaram-se com ele e ficaram sete dias sem dizer nada (Jó 2:11-13). Naquele momento, fizeram algo muito bom: não deixaram o amigo sozinho nem tentaram explicar sua dor antes de ouvi-lo.
O problema começou quando passaram a falar. Os três defendiam, de maneiras diferentes, que Deus castiga os maus e abençoa os justos. Há uma parte verdadeira nisso: Deus é justo, e nossas escolhas têm consequências. Mas eles transformaram essa verdade numa regra pra explicar *todo* sofrimento. Se Jó estava sofrendo tanto, concluíram, devia ter cometido algum pecado grave que não queria confessar. Por isso insistiram pra que ele se arrependesse (Jó 4–25).
O leitor do livro sabe algo que os amigos não sabiam: logo no início, Deus apresenta Jó como um homem íntegro (Jó 1:8; 2:3). A história também mostra que as perdas dele não eram castigo por um pecado escondido (Jó 1–2). Os amigos, porém, falaram como se conhecessem a causa de tudo. Em vez de ajudar Jó, aumentaram seu sofrimento com acusações sem fundamento. Por isso ele os chamou de consoladores que o faziam sofrer ainda mais (Jó 16:2).
No fim, Deus repreendeu Elifaz e os outros dois porque não tinham falado corretamente a respeito dele, como Jó havia falado (Jó 42:7-9). Isso não quer dizer que cada frase dos amigos fosse falsa, nem que Jó tenha acertado em tudo: depois de ouvir Deus, o próprio Jó reconheceu que havia falado de coisas que não compreendia (Jó 42:1-6). O erro dos amigos foi usar ideias sobre a justiça de Deus pra condenar Jó sem conhecer a verdade sobre o caso dele.
A lição é simples e importante. Quando alguém sofre, podemos fazer o que aqueles homens fizeram de melhor: procurar a pessoa, ficar ao lado dela e ouvi-la. O que não devemos fazer é decidir, sem saber, que sua dor é um castigo de Deus. Em João 9:1-3, Jesus também rejeitou essa ligação automática entre sofrimento e pecado pessoal. Nem sempre saberemos explicar por que alguém está passando por uma situação difícil. Ainda assim, podemos cuidar dessa pessoa e chorar com ela, como ensina Romanos 12:15.