A frase que Jesus menciona em Mateus 5:43 junta duas ideias de origens diferentes. “Ame o seu próximo” vem da Lei de Deus, em Levítico 19:18. “Odeie o seu inimigo” não aparece ali como mandamento — nem há, no Antigo Testamento, uma ordem geral pra odiar os próprios inimigos. Jesus estava mostrando que o mandamento de amar havia sido ensinado de um jeito limitado: ame quem é do seu grupo, mas não precisa amar quem se opõe a você.
Em Levítico 19:18, Deus manda os israelitas não se vingarem nem guardarem rancor contra as pessoas do seu povo, mas amarem o próximo como a si mesmos. Alguém poderia ler essa passagem e concluir que a obrigação de amar só valia dentro de Israel. Só que o próprio capítulo também manda amar o estrangeiro que vivia entre eles (Levítico 19:33-34). Portanto, a Lei não ensinava que pessoas de fora deviam ser tratadas com ódio.
De onde, então, pode ter vindo a segunda parte da frase? A Bíblia não identifica quem começou a dizer “odeie o seu inimigo”. É possível que ela tenha surgido de uma maneira restrita de entender quem era o “próximo”, somada à hostilidade contra os adversários. Mas não dá pra apontar uma origem única com certeza. O importante é não confundir o que Jesus diz que seus ouvintes *tinham ouvido* com uma ordem que Deus tivesse dado.
Jesus responde diretamente a essa ideia: manda amar os inimigos e orar por quem nos persegue (Mateus 5:44). Ele não está dizendo que o mal deve ser aprovado ou que uma pessoa deve fingir que não foi ferida. Está dizendo que a maldade de alguém não nos dá permissão pra desejar o mal dessa pessoa. Em vez de limitar o amor a quem nos trata bem, Jesus ensina seus seguidores a buscar o bem até de quem os trata mal.