A diferença está no sentido da palavra “mundo” em cada passagem. Quando João diz que Deus amou o mundo, ele está falando das pessoas que Deus ama e quer salvar por meio de Jesus (João 3:16). Mas, quando diz pra não amarmos o mundo, está falando de um jeito de viver que deixa Deus de lado e trata o pecado como algo desejável (1 João 2:15-16). Então não há contradição: devemos amar as pessoas, mas não adotar os valores que nos afastam de Deus.
João ajuda a entender isso ao falar dos desejos da carne, dos desejos dos olhos e do orgulho da vida. Ele está falando daquela vontade de fazer o que é errado só porque dá prazer, de querer tudo o que vemos e de achar que nosso valor depende do que temos ou da imagem que passamos. O problema não é sentir prazer, possuir coisas ou cuidar da própria aparência. O problema é deixar que essas coisas controlem nossas escolhas, mesmo quando nos levam a desobedecer a Deus.
Por exemplo, é possível trabalhar, ganhar dinheiro e aproveitar o que ele proporciona sem fazer disso o centro da vida. Mas, se a busca por dinheiro nos leva a mentir, desprezar outras pessoas ou nunca estar satisfeitos, algo tomou um lugar que não deveria ter. É por isso que Jesus ensina a buscar primeiro o Reino de Deus e diz que não podemos servir a Deus e ao dinheiro como se ambos fossem nossos senhores (Mateus 6:24, 33).
Não amar o mundo também não significa se afastar das pessoas. Jesus convivia com pessoas que precisavam dele; não aprovava tudo o que faziam, mas as tratava com amor. Ele pediu ao Pai que seus discípulos fossem guardados do mal, não que fossem retirados do mundo (João 17:15-18). Nós continuamos aqui pra amar o próximo e viver de um modo que mostre quem é Deus.
No fundo, a pergunta é: *o que está guiando minha vida?* Quem segue Jesus ainda enfrenta desejos errados e precisa aprender, dia após dia, a escolher o que agrada a Deus. Não amar o mundo é isso: amar as pessoas que Deus ama, sem deixar que os valores contrários a ele decidam por nós.