Sim. Você pode não sentir afinidade por alguém e, ainda assim, tratar essa pessoa com amor. Gostar costuma envolver prazer na companhia, admiração ou facilidade de conviver. Amar, no sentido que Jesus ensinou, também aparece nas escolhas: querer o bem do outro e agir de acordo com isso, mesmo quando a convivência é difícil.
Jesus mandou seus seguidores amarem até os inimigos. Ele explicou o que isso pode significar na prática: fazer o bem a quem nos odeia e orar por quem nos maltrata (Lucas 6:27-28). Se fosse preciso sentir carinho antes de amar, esse mandamento não faria sentido. Às vezes, o primeiro passo é mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: não devolver a ofensa, não desejar o mal e fazer o que é certo.
Isso não quer dizer fingir que está tudo bem. Amar alguém não exige concordar com o que ela faz, nem esconder a verdade pra evitar uma conversa difícil. Também não exige confiar em quem já mostrou que não é confiável. Você pode desejar sinceramente que uma pessoa mude e, ao mesmo tempo, estabelecer limites pra se proteger. Até Jesus, que amava as pessoas, nem sempre confiava nelas (João 2:24-25).
O exemplo maior desse amor está em Cristo. Segundo Romanos 5:8, Deus mostrou seu amor por nós quando Cristo morreu por nós, embora ainda fôssemos pecadores. Ele não esperou que merecêssemos esse amor. Por isso, quando é difícil amar alguém, não precisamos fingir sentimentos que não temos. Podemos pedir a Deus ajuda pra agir com verdade, bondade e sabedoria. O Espírito Santo nos ajuda a desenvolver esse amor (Gálatas 5:22).
Com o tempo, nossos sentimentos por uma pessoa podem mudar, mas isso não é garantido. A resposta à pergunta, então, é: sim, é possível amar sem gostar. Você talvez nunca goste da companhia de alguém ou volte a confiar nessa pessoa. Ainda assim, pode tratá-la com dignidade, orar por ela e buscar seu bem sem deixar de se proteger.