A “aliança com a morte” seria anulada porque não conseguiria proteger os líderes de Jerusalém do desastre que eles temiam. Eles achavam que tinham encontrado um jeito de ficar seguros, mas Deus diz que, quando a calamidade chegasse, o acordo em que confiavam não serviria de nada (Isaías 28:15, 18).
Isaías não diz que esses líderes fizeram literalmente um contrato com a morte. Ele usa uma expressão forte pra mostrar como eles pensavam: *“Estamos protegidos. O perigo não vai nos atingir.”* Só que essa confiança se apoiava na mentira, não em Deus. Naquela época, Judá enfrentava a ameaça da Assíria, e seus líderes procuravam segurança em estratégias políticas e em alianças com outras nações. Em outras partes do livro, Isaías critica especialmente a busca de ajuda no Egito em vez da confiança no Senhor (Isaías 30:1-3; 31:1). O capítulo 28, porém, não identifica expressamente qual acordo esses líderes tinham em mente ao falar da “aliança com a morte”.
Então, como Deus a anularia? Deixando claro, por meio do julgamento, que aquela suposta proteção era falsa. Isaías diz que o “flagelo” passaria e os atingiria. Não seria a morte que descumpriria um contrato real; seriam os líderes que descobririam que nunca tiveram a segurança que imaginavam ter.
No meio dessa advertência, Deus apresenta outra base pra confiança: a pedra firme que ele coloca em Sião (Isaías 28:16). Em vez de se apoiar em mentiras e acordos incapazes de salvá-los, o povo precisava confiar no que o próprio Deus havia estabelecido. O Novo Testamento aplica essa passagem a Jesus Cristo (Romanos 9:33; 1 Pedro 2:6). É nele que encontramos a segurança que as soluções humanas não podem oferecer.
Assim, Isaías 28:18 fala primeiro da falsa segurança dos líderes de Jerusalém diante de uma ameaça concreta. A aplicação pra nós vem daí: não adianta chamar algo de proteção se isso nos leva a ignorar a Deus. O que eles tratavam como um acordo seguro seria desfeito pelos acontecimentos; a confiança em Cristo, por sua vez, não depende de uma promessa vazia, mas do que Deus fez por meio dele.