Al-Masih ad-Dajjal, geralmente chamado apenas de Dajjal, é um grande enganador que, segundo tradições islâmicas, aparecerá perto do fim dos tempos. O nome costuma ser entendido como “falso messias” ou “messias enganador”. A ideia central é que ele levará muitas pessoas a acreditar nele por meio de sinais extraordinários e falsas promessas.
Há uma distinção importante: o Alcorão não apresenta o Dajjal pelo nome nem conta sua história. As descrições conhecidas vêm principalmente dos *hadiths*, relatos sobre os ensinamentos e os atos de Maomé. Nesses relatos, o Dajjal aparece como uma prova especialmente difícil para as pessoas. Alguns descrevem características físicas suas, dizem que ele não poderá entrar em Meca e Medina e afirmam que Jesus — chamado de *Isa* no Islã — voltará e o matará.
A figura do Mahdi, um líder esperado por muitos muçulmanos nos últimos tempos, também aparece em várias interpretações islâmicas. Mas nem todos os grupos entendem da mesma forma quem ele é ou qual será seu papel. Por isso, não dá pra apresentar todos os detalhes dessa história como uma crença única, compartilhada igualmente por todos os muçulmanos.
A comparação com o Anticristo ajuda a entender por que o Dajjal chama tanta atenção: nos dois casos, existe a expectativa de um grande engano ligado aos últimos tempos e à oposição à verdade de Deus. Mas dizer que eles são *a mesma pessoa* já vai além do que os textos permitem concluir. No Novo Testamento, João fala de “anticristos” — pessoas que negam a verdade sobre Jesus — e também menciona a expectativa de um anticristo (1 João 2:18, 22). Outras passagens falam de engano e oposição a Deus antes da volta de Cristo, como 2 Tessalonicenses 2:3-10. A Bíblia, porém, não menciona o Dajjal.
Assim, a resposta mais precisa é: o Dajjal é o falso messias esperado em tradições islâmicas sobre o fim dos tempos; ele se parece, em alguns aspectos, com figuras de engano descritas na Bíblia, mas pertence a uma tradição religiosa diferente. Para o cristão, a maneira de avaliar qualquer alegação sobre um suposto salvador continua sendo o que as Escrituras ensinam sobre Jesus Cristo, sua identidade e sua volta (1 João 4:1-3; Mateus 24:23-27).