Porque aquilo que é proibido pode parecer mais atraente justamente por ser secreto. Em Provérbios 9:17, a frase faz parte do convite da insensatez: ela promete um prazer especial a quem fizer algo escondido. Mas o texto não diz que a água roubada *é* melhor. Ele mostra como a tentação tenta convencer a pessoa de que será.
A imagem da água ajuda a entender esse convite. Em Provérbios 5:15-18, o marido é aconselhado a beber da própria fonte e a se alegrar com sua esposa. Ali, a água representa a intimidade sexual vivida no casamento. Por isso, em Provérbios 9, a “água roubada” lembra especialmente o prazer sexual buscado fora desse compromisso, como no adultério.
O desejo de intimidade não é o problema. A Bíblia apresenta a união do casal como algo bom (Gênesis 2:24). O engano está em pensar que esconder ou desobedecer vai tornar esse prazer melhor. O segredo pode aumentar a expectativa, e a pessoa pode se concentrar tanto no que deseja agora que deixa de considerar a traição, o sofrimento e as outras consequências.
É por isso que o versículo seguinte importa tanto. A insensatez fala da doçura, mas esconde onde seu convite termina: Provérbios 9:18 associa sua casa à morte. O capítulo coloca lado a lado dois convites, o da sabedoria e o da insensatez. Um ensina a viver; o outro oferece prazer imediato sem contar o que vem depois.
Então, a água roubada parece doce porque o proibido e o secreto podem despertar o desejo. Provérbios nos aconselha a não julgar uma escolha só pelo prazer que ela promete no começo, mas também pelo que ela pode causar depois.