A Bíblia fala da água no batismo e em rituais de purificação, mas não ensina os cristãos a abençoar água para usá-la como água benta. Também não diz que uma oração transforma a água em algo capaz de perdoar pecados ou proteger alguém por si só.
No Antigo Testamento, Deus mandou o povo de Israel usar água em certas cerimônias de purificação. Em Números 19, por exemplo, havia um procedimento para quem tivesse tocado num morto. Aquela água fazia parte das leis dadas a Israel; não era uma instrução para os cristãos prepararem água benta. O Novo Testamento explica que esses rituais não podiam, por si mesmos, limpar a consciência de uma pessoa diante de Deus. É Cristo quem faz isso por meio do seu sacrifício (Hebreus 9:13-14).
E o batismo? Nele também se usa água, mas não porque a água seja sagrada. João Batista batizava com água e apontava as pessoas para alguém maior do que ele: Jesus (Mateus 3:11). Mais tarde, os apóstolos ensinaram que o batismo está ligado à fé em Cristo e representa a união do cristão com ele em sua morte e ressurreição (Romanos 6:3-4). A importância do batismo, portanto, não está numa qualidade especial da água.
Na tradição católica, a água benta é usada como um sinal religioso, por exemplo, para lembrar o batismo e acompanhar uma oração. É importante distinguir essa intenção da ideia de que a água teria um poder mágico — não são a mesma coisa. Ainda assim, o Novo Testamento não manda os cristãos usar água benta. Por isso, não devemos apresentar essa prática como uma exigência bíblica nem colocar nela a confiança que pertence a Jesus.
Em resumo: usar água como parte do batismo é um ensinamento bíblico. A água benta, como prática religiosa, não é ordenada na Bíblia. E nenhuma água substitui aquilo que Deus oferece por meio de Cristo: perdão e uma vida reconciliada com ele.