Jesus estava falando da tristeza que seus discípulos sentiriam quando ele fosse preso e morto. Eles já estavam aflitos naquela conversa, sem entender direito o que aconteceria. Mas Jesus não falou da tristeza como se ela fosse durar pra sempre: ele prometeu que voltaria a vê-los e que eles se alegrariam.
Naquela noite, Jesus disse que, em pouco tempo, os discípulos deixariam de vê-lo e, pouco depois, o veriam novamente. Eles ficaram confusos com essas palavras (João 16:16–18). Então Jesus explicou que chorariam enquanto outras pessoas se alegrariam, mas que a tristeza deles se transformaria em alegria (João 16:20).
A morte de Jesus tornaria essa perda muito real. Pra quem havia deixado tudo pra segui-lo, vê-lo morrer seria doloroso e difícil de compreender. Depois da crucificação, dois seguidores chegaram a dizer que esperavam que ele fosse aquele que libertaria Israel — uma esperança que, naquele momento, parecia ter acabado (Lucas 24:21).
É por isso que Jesus diz: “agora vocês estão tristes”. Ele sabia o que seus discípulos estavam prestes a enfrentar. Ao mesmo tempo, sabia de algo que eles ainda não conseguiam entender: a morte não seria o fim. Quando Jesus ressuscitou e apareceu aos discípulos, a promessa começou a se cumprir. João conta que eles se alegraram ao vê-lo (João 20:19–20).
Jesus compara essa mudança à experiência de uma mulher que sofre as dores do parto e depois se alegra com o nascimento do filho (João 16:21). A comparação não diminui a dor. Ela mostra que a alegria viria depois de uma tristeza verdadeira. Por isso Jesus diz que ninguém tiraria deles essa alegria: eles saberiam que ele estava vivo, apesar de terem visto sua morte.
Então João 16:22 não ensina que os seguidores de Jesus nunca mais ficariam tristes. Ensina que, naquela hora de perda e confusão, os discípulos podiam confiar na promessa dele. A tristeza que sentiriam com sua morte daria lugar à alegria de vê-lo ressuscitado.