Agar era uma serva egípcia de Sara, esposa de Abraão, e foi a mãe de Ismael. Sua história aparece principalmente em Gênesis 16 e 21. Ela passou por situações em que tinha pouco poder de escolha, mas Deus a viu e cuidou dela.
Abraão e Sara não conseguiam ter filhos, embora Deus tivesse prometido descendentes a Abraão. Depois de anos de espera, Sara entregou Agar a ele pra que tivessem um filho por meio dela. Agar engravidou, e a convivência entre as duas ficou difícil. Gênesis diz que Agar passou a desprezar Sara; depois, Sara a tratou tão duramente que ela fugiu para o deserto (Gênesis 16:1-6). O relato não apresenta essa decisão de Sara e Abraão como a maneira pela qual Deus cumpriria sua promessa.
No deserto, o anjo do Senhor encontrou Agar. Ele lhe disse que teria um filho chamado Ismael — nome ligado ao fato de que Deus tinha ouvido seu sofrimento — e anunciou que seus descendentes seriam numerosos. Agar então chamou o Senhor de “o Deus que me vê” (Gênesis 16:7-13). Isso é marcante: mesmo sendo uma serva estrangeira, ela não passou despercebida por Deus. Depois desse encontro, Agar voltou e deu à luz Ismael (Gênesis 16:15).
Anos mais tarde, Sara também teve um filho, Isaque. Quando surgiu um novo conflito envolvendo os dois meninos, Sara pediu que Agar e Ismael fossem mandados embora. Abraão ficou aflito, mas Deus lhe disse que cuidaria de Ismael e que a promessa ligada a Isaque continuaria de pé (Gênesis 21:8-13). No deserto, a água de Agar acabou. Ela se afastou do filho porque não suportava vê-lo morrer. Deus ouviu o menino, falou com Agar e lhe mostrou um poço. Os dois sobreviveram, e Ismael cresceu sob o cuidado de Deus (Gênesis 21:14-21).
É importante não confundir as duas promessas. Deus prometeu cuidar de Ismael e fazer dele uma grande nação, mas disse que a promessa feita a Abraão seguiria por meio de Isaque (Gênesis 17:19-21; 21:12-13). Isso não significa que Deus tenha rejeitado Agar ou seu filho: a própria história mostra o contrário.
Mais tarde, Paulo usou Sara e Agar como figuras numa explicação sobre a liberdade que Cristo dá, em contraste com a tentativa de alcançar a aceitação de Deus pela obediência à Lei (Gálatas 4:21-31). Ele não estava dizendo que Agar era uma mulher má. Estava usando a diferença entre a condição das duas mulheres — uma livre, a outra escravizada — pra ensinar sobre essas duas maneiras de se relacionar com Deus.
Assim, Agar foi a mãe de Ismael e uma mulher que sofreu por decisões e conflitos dentro da casa de Abraão. A história dela também mostra algo fácil de guardar: Deus ouviu seu sofrimento, viu sua situação e não a abandonou.