Agague era o nome de um rei dos amalequitas, povo que entrou em conflito com Israel. O Agague mais conhecido aparece na história do rei Saul: Saul venceu os amalequitas, mas poupou a vida do rei deles, apesar da ordem que havia recebido de Deus (1 Samuel 15:1-9).
O nome também aparece muito antes, numa fala de Balaão registrada em Números 24:7. Ali, Balaão anuncia que um rei de Israel seria mais poderoso que Agague. Não sabemos ao certo se esse Agague era uma pessoa específica cujo nome se repetiu mais tarde ou se “Agague” era um nome usado por diferentes reis amalequitas. O texto não esclarece isso. Também não é preciso entender essa comparação como uma referência direta e exclusiva ao Messias: o ponto da fala é a grandeza futura de Israel diante de outros reinos.
A história que explica por que Agague ficou conhecido está em 1 Samuel 15. Deus mandou Saul atacar os amalequitas e não ficar com os bens deles. Saul venceu, mas deixou Agague vivo e guardou os melhores animais. Quando o profeta Samuel o confrontou, Saul tentou justificar o que tinha feito, dizendo que os animais seriam oferecidos a Deus. Samuel mostrou que uma oferta não compensava a desobediência. Naquele episódio, anunciou que Saul perderia o reino; depois, o próprio Samuel matou Agague (1 Samuel 15:13-33).
A ordem dada a Saul envolve uma guerra e um juízo específicos narrados no Antigo Testamento. Ela não é uma autorização para pessoas hoje atacarem outros povos em nome de Deus. Na história de Saul, a questão principal é que ele recebeu uma ordem clara e escolheu cumpri-la apenas em parte, enquanto dizia ter obedecido.
Séculos depois, o livro de Ester chama Hamã, inimigo dos judeus, de “agagita” (Ester 3:1). Isso pode indicar uma ligação com Agague ou com os amalequitas, mas a Bíblia não apresenta uma genealogia que comprove que Hamã descendia daquele rei poupado por Saul. Por isso, também não dá pra afirmar que o plano de Hamã contra os judeus aconteceu porque Saul deixou Agague vivo.
Em resumo, Agague foi um rei amalequita lembrado principalmente pela desobediência de Saul. Sua história ensina que não basta fazer a parte de uma ordem de Deus que nos parece conveniente e chamar isso de obediência.