Paulo não estava dizendo que sofrer dói pouco. Ele mesmo enfrentou perseguição, violência, perigos e privações (2 Coríntios 11:23-27). Quando chamou a tribulação de “leve e momentânea”, estava comparando o sofrimento de agora com a vida eterna que Deus prometeu aos que pertencem a Cristo. A dor pode ser intensa e durar muitos anos. Mas, diante da ressurreição e da vida com Deus, ela não terá a última palavra.
Nos versículos anteriores, Paulo conta que ele e seus companheiros eram pressionados, perseguidos e derrubados, mas Deus não os abandonava (2 Coríntios 4:8-9). Ele também diz que o corpo deles se desgastava, enquanto Deus os renovava por dentro a cada dia (4:16). Portanto, Paulo não estava ignorando o que acontecia com eles. Ele reconhecia o desgaste e, ao mesmo tempo, confiava que Deus continuava agindo em sua vida.
É nesse contexto que aparecem as palavras “leve” e “momentânea”. *Leve* não significa fácil de suportar; significa que o sofrimento não se compara ao que Deus prepara. *Momentânea* não significa que acaba depressa; significa que, por mais longa que seja nesta vida, a tribulação tem fim. A vida que Deus promete não tem (2 Coríntios 4:17-18).
Paulo tinha uma razão concreta pra essa esperança: ele cria que Deus, que ressuscitou Jesus, também ressuscitaria os que pertencem a ele (2 Coríntios 4:14). Por isso, olhar pras coisas que não se veem, como ele diz no versículo 18, não é fingir que a dor não existe. É lembrar que a situação que vemos hoje não é tudo o que existe nem tudo o que Deus fará.
Paulo também diz que a tribulação está produzindo algo de valor eterno. Isso não quer dizer que a dor seja boa em si mesma, nem que todo sofrimento tenha uma explicação que conseguimos descobrir agora. Quer dizer que Deus não abandona seu povo no sofrimento: ele pode fortalecer a perseverança e a esperança de quem confia nele, como Paulo também explica em Romanos 5:3-5.
Assim, se você está passando por algo muito difícil, não precisa chamar sua dor de pequena. Paulo não fez isso com a dele. O que ele nos convida a lembrar é que, para quem está em Cristo, o sofrimento é real, mas não é definitivo. Deus permanece conosco agora e prometeu uma vida futura que a dor de hoje não pode tirar.