Porque a primeira atitude da igreja deve ser dar à pessoa a oportunidade de mudar, não simplesmente afastá-la. Em Tito 3:10, Paulo orienta Tito a advertir quem provoca divisões uma ou duas vezes e, se a pessoa insistir, deixar de se relacionar com ela como antes.
Essa advertência não é uma formalidade. É uma conversa séria, em que se mostra à pessoa o que ela está fazendo e por que isso prejudica os outros. Ela pode reconhecer o erro, parar e continuar em comunhão com a igreja. Mas, se continuar causando divisões mesmo depois de ser advertida, a igreja não deve tratar o problema como se nada estivesse acontecendo.
O contexto ajuda a entender a gravidade da situação. Logo antes, Paulo manda evitar discussões inúteis sobre genealogias e a lei, porque elas estavam gerando brigas, não entendimento (Tito 3:9). Na mesma carta, ele fala de pessoas que ensinavam o que não deviam e perturbavam famílias inteiras (Tito 1:10-11). Não se tratava de uma simples conversa em que cristãos pensavam de modo diferente. Havia pessoas insistindo em práticas e ensinos que faziam mal à igreja.
Isso também mostra o que não devemos concluir desse texto. Fazer uma pergunta difícil, apontar um erro ou discordar sobre um assunto secundário não torna alguém uma pessoa divisiva. A questão é insistir em criar conflitos e levar outros a se afastarem do ensino bíblico, mesmo depois de receber uma correção clara.
Portanto, Paulo não está dizendo que basta uma conversa para desistir de alguém. Ele diz “uma ou duas” advertências: há espaço pra ouvir, explicar e chamar ao arrependimento. Ao mesmo tempo, a igreja não precisa permitir que o dano continue sem limite. A orientação procura cuidar tanto da pessoa advertida, oferecendo a ela uma chance real de mudar, quanto dos demais, que precisam ser protegidos das divisões.