A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma igreja cristã conhecida especialmente por duas crenças: Jesus voltará, e o sábado deve continuar sendo guardado como dia de descanso e adoração. O nome vem daí: “advento” se refere à vinda de Cristo, e “sétimo dia” se refere ao sábado.
Os adventistas afirmam crer em Deus como Pai, Filho e Espírito Santo, na morte e ressurreição de Jesus e na salvação pela graça, mediante a fé. Portanto, não seria correto dizer que eles acreditam que alguém é salvo simplesmente por guardar o sábado. Ao mesmo tempo, algumas de suas doutrinas são diferentes das ensinadas em muitas outras igrejas evangélicas. Pra entender essas diferenças, vale conhecer um pouco de sua história.
No século 19, nos Estados Unidos, o pregador William Miller anunciou que Jesus voltaria por volta de 1843 ou 1844. Isso não aconteceu. A decepção de seus seguidores em 1844 ficou conhecida como o *Grande Desapontamento*. Parte deles passou a entender que a data apontava não pra volta de Jesus à terra, mas pra uma etapa de sua atuação no céu. Desse grupo surgiu, mais tarde, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, organizada oficialmente em 1863. Os escritos de Ellen G. White, considerada pelos adventistas como alguém que recebeu o dom de profecia, tiveram grande influência na formação da igreja.
Além da volta de Cristo e da guarda do sábado, estas são algumas crenças adventistas importantes:
- O juízo investigativo. Os adventistas ensinam que, em 1844, Cristo iniciou no céu uma fase de seu ministério ligada ao juízo. Muitos cristãos discordam dessa interpretação porque não veem na Bíblia uma base clara pra atribuir esse acontecimento àquela data. Isso não significa que os adventistas ensinem que Jesus começou a salvar pessoas somente em 1844.
- O estado dos mortos. Eles entendem que, entre a morte e a ressurreição, a pessoa permanece inconsciente, aguardando a ressurreição. Também ensinam que os ímpios não sofrerão conscientemente pra sempre, mas serão destruídos no juízo final. Outros cristãos interpretam de maneira diferente passagens como Lucas 23:43, Filipenses 1:23 e Mateus 25:46.
- A vida saudável. A igreja incentiva o cuidado com o corpo, e muitos adventistas não comem carne. Mas é importante distinguir esse incentivo de uma afirmação que a Bíblia não faz: a salvação não depende de uma dieta, como Paulo ajuda a esclarecer em Romanos 14:17 e Colossenses 2:16.
Há ainda dois pontos que costumam gerar confusão. O primeiro é que adventistas associam o arcanjo Miguel a Jesus. Eles não querem dizer com isso que Jesus seja um ser criado; sua doutrina oficial afirma a plena divindade de Cristo. Ainda assim, muitos cristãos consideram essa identificação sem apoio bíblico suficiente. O segundo ponto envolve o “bode emissário” de Levítico 16. Na interpretação adventista, ele representa Satanás recebendo a responsabilidade final pelo mal que causou. Adventistas não ensinam que Satanás salva pessoas ou toma o lugar de Jesus na cruz. A distinção importa, mesmo que outros cristãos discordem da interpretação deles: segundo 1 Pedro 2:24, é Cristo quem levou nossos pecados e nos reconciliou com Deus.
E quanto ao sábado? Os adventistas entendem que o mandamento de descansar no sétimo dia continua valendo pra todos os cristãos. Muitos evangélicos, porém, entendem que o Novo Testamento não exige que a igreja guarde o sábado como obrigação. Eles apontam, por exemplo, pra Romanos 14:5-6, onde Paulo trata das diferenças de opinião sobre dias, e pra Colossenses 2:16-17, onde ele diz que ninguém deve julgar os cristãos por causa da observância de sábados. Assim, a questão não é se é errado descansar ou adorar a Deus no sábado — não é. A questão é se a Bíblia exige isso de todos os seguidores de Jesus.
A maior preocupação pra muitos evangélicos está na autoridade dada aos escritos de Ellen White. Oficialmente, os adventistas dizem que a Bíblia é sua autoridade maior e que os escritos dela devem ser avaliados pelas Escrituras. Ainda assim, quando esses escritos influenciam tanto a interpretação bíblica, é justo perguntar se, na prática, a Bíblia pode corrigir uma doutrina ensinada por ela. Essa pergunta merece exame cuidadoso, à luz da própria Bíblia (Atos 17:11; 2 Timóteo 3:16-17).
Então, como entender o adventismo? Ele não deve ser descrito apenas como uma igreja que se reúne no sábado, nem é justo tratar todos os adventistas como se não cressem em Jesus ou na salvação pela graça. É uma igreja com crenças cristãs fundamentais e também com ensinos próprios que precisam ser examinados biblicamente — especialmente os relacionados a 1844, ao sábado e à autoridade de Ellen White. Ao conversar com um adventista, o melhor caminho é ouvir o que ele de fato crê e conferir, com respeito e atenção, o que as Escrituras ensinam.