A frase aponta pra um fato importante: em Gênesis, Deus cria o homem e a mulher e os une. Mas, sozinha, ela não resolve a pergunta. O fato de Adão e Eva serem um casal mostra como a história da humanidade começou; não basta, por si só, pra explicar o que a Bíblia ensina sobre todos os relacionamentos.
Gênesis 2 diz que Deus criou Eva como companheira de Adão e que os dois se tornariam uma só carne. Mais tarde, quando Jesus ensinou sobre o casamento, ele voltou a essa passagem e falou da união entre homem e mulher (Mateus 19:4–6). Então, o relato da criação não trata apenas da necessidade de ter filhos: ele também apresenta uma união que Jesus considerou importante pra entender o casamento.
Ainda assim, é preciso cuidado com um argumento comum: “Deus criou homem e mulher porque só assim poderiam ter filhos.” Isso explica por que a humanidade pôde se multiplicar, mas não responde à questão inteira. Afinal, a Bíblia não diz que um casamento perde seu valor quando o casal não pode ter filhos. A pergunta principal é o que as Escrituras ensinam sobre a união sexual, não apenas quem pode gerar crianças.
Pra entender a posição cristã tradicional, é necessário considerar também as passagens que tratam diretamente de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, como Levítico 18:22, Romanos 1:26–27 e 1 Coríntios 6:9–11. Cristãos divergem sobre como interpretar esses textos e sobre sua aplicação hoje. A leitura evangélica tradicional entende que eles desaprovam essas práticas, em harmonia com o ensino de Jesus sobre o casamento.
Há ainda uma distinção importante: sentir atração por alguém não é a mesma coisa que escolher uma prática sexual. Quando a Bíblia fala de conduta, não devemos usar isso pra reduzir uma pessoa à sua atração, zombar dela ou tratá-la sem respeito.
Portanto, “Deus fez Adão e Eva” pode ser o começo de uma explicação bíblica sobre o casamento. Como resposta completa, porém, a frase é curta demais — e, dependendo de como for dita, pode afastar a pessoa antes que ela tenha a chance de entender o argumento.