O “acusador dos irmãos” é Satanás. O próprio capítulo esclarece isso: em Apocalipse 12:9, o dragão da visão é identificado como o diabo e Satanás. No versículo seguinte, ele é chamado de acusador porque acusa os que pertencem a Deus.
Essa descrição não aparece só em Apocalipse. No começo do livro de Jó, Satanás questiona a sinceridade da fé de Jó: ele alega que Jó só serve a Deus por causa das bênçãos que recebe (Jó 1:9-11; 2:4-5). Em outra visão, Satanás aparece pronto pra acusar o sacerdote Josué, mas Deus o repreende e manda tirar suas roupas sujas, que representavam sua culpa (Zacarias 3:1-4). As duas cenas ajudam a entender o nome “acusador”: Satanás tenta usar o pecado ou o sofrimento de alguém como argumento contra essa pessoa diante de Deus.
Em Apocalipse 12, porém, a notícia principal não é a força do acusador, mas a derrota dele. O capítulo mostra Satanás sendo expulso do céu e diz que os seguidores de Jesus vencem por causa do sangue do Cordeiro — isto é, da morte de Cristo por eles — e por permanecerem fiéis ao testemunho que dão sobre Jesus (Apocalipse 12:10-11). Satanás pode acusar, mas não pode desfazer o que Cristo fez pra salvar os seus.
Cristãos entendem de maneiras diferentes *quando* acontece a expulsão mostrada nessa visão. Alguns a relacionam à vitória de Jesus em sua morte, ressurreição e exaltação; outros entendem que ela aponta pra um acontecimento futuro. Não é preciso resolver essa questão pra identificar o acusador nem pra entender a segurança que o texto oferece.
Isso também não significa fingir que o pecado não importa. Quando pecamos, devemos confessá-lo a Deus. A diferença é que a nossa esperança não está em dizer que nunca erramos: está em Jesus, que morreu por nossos pecados e intercede por nós (1 João 1:9; Romanos 8:33-34; Hebreus 7:25). Por isso, as acusações de Satanás não têm a palavra final sobre quem está em Cristo.