Nesse assunto, condescendência não quer dizer que Deus nos trate com desprezo. Quer dizer que ele toma a iniciativa de se comunicar conosco, mesmo sendo muito maior do que podemos compreender. Acomodação descreve como ele faz isso: Deus fala de um jeito que pessoas humanas conseguem entender. Os dois termos, portanto, apontam pra mesma ideia básica: Deus não precisa se tornar limitado pra falar conosco, mas leva em conta as nossas limitações.
Pense na Bíblia. Deus se comunica por meio de autores humanos, usando as línguas e as formas de expressão que eles conheciam. Às vezes, ela descreve Deus como se tivesse mãos, olhos ou ouvidos. Isso nos ajuda a entender que ele age, vê e ouve. Não significa que Deus tenha um corpo como o nosso; Jesus ensina que Deus é espírito (João 4:24).
Essa maneira de falar não torna a mensagem menos verdadeira. Falar de um jeito que alguém entende é diferente de dizer algo falso. Quando a Bíblia fala que Deus ouve uma oração, por exemplo, ela está ensinando algo real sobre Deus, mesmo usando uma palavra ligada à nossa experiência humana.
É importante manter essa diferença em mente. Alguns usam a ideia de acomodação pra dizer que Deus deixou erros entrarem no ensino bíblico só porque as pessoas da época pensavam daquele jeito. Mas a simples afirmação de que Deus se adapta à nossa capacidade de entender não prova isso. Seria preciso examinar a passagem em questão, seu contexto e o que ela realmente pretende ensinar. Em João 5:46, por exemplo, Jesus relaciona os escritos de Moisés ao testemunho sobre ele. Não basta chamar isso de “acomodação” pra concluir que Jesus sabia que a afirmação era falsa e resolveu repeti-la.
Então, os termos ajudam a explicar algo precioso: Deus fala conosco de maneira compreensível sem precisar nos enganar. A Bíblia não nos conta tudo o que existe pra saber sobre ele. Mas o que Deus escolheu nos comunicar é suficiente pra que possamos conhecê-lo de verdade.