Jesus estava falando com o vento e com as águas agitadas, não com os discípulos. Ele deu essa ordem durante uma tempestade, e o vento parou. Foi um acontecimento real, que mostrou aos discípulos algo que eles ainda estavam aprendendo sobre Jesus: sua autoridade alcançava até as forças da natureza.
Marcos conta que Jesus e os discípulos atravessavam o mar da Galileia de barco. O vento ficou forte, as ondas começaram a entrar na embarcação e Jesus dormia. Com medo de morrer, os discípulos o acordaram e perguntaram se ele não se importava com eles. Jesus então repreendeu o vento, ordenou que as águas se aquietassem, e tudo ficou calmo (Marcos 4:35-39).
O espanto dos discípulos ajuda a entender a importância daquele momento. Eles não tinham visto apenas alguém enfrentar bem uma situação perigosa. Tinham visto o vento e o mar obedecerem à palavra de Jesus. Por isso perguntaram uns aos outros quem ele era, para que até aquelas forças lhe obedecessem (Marcos 4:41). O relato não termina só com uma tempestade resolvida; ele nos convida a olhar pra quem Jesus é. Na Bíblia, Deus é aquele que tem poder sobre o mar e pode acalmá-lo (Salmo 107:28-29).
Depois, Jesus perguntou aos discípulos por que estavam com tanto medo e ainda não tinham fé (Marcos 4:40). Isso não significa que o perigo fosse imaginário. O barco estava recebendo água. Mas, no meio do medo, eles chegaram a pensar que Jesus não se importava. A pergunta de Jesus os levou a considerar em quem podiam confiar, mesmo antes de saber como aquela situação terminaria.
Esse episódio também fala ao nosso medo, mas é importante não trocar o sentido da ordem de Jesus. Naquele dia, ele mandou a tempestade parar; Marcos não diz que ele fez uma promessa de acabar imediatamente com toda dificuldade que enfrentarmos. O que o relato mostra é que os discípulos não estavam sozinhos no perigo, e que Jesus tinha poder para ajudá-los. Quando passamos por aflições, podemos levar a Deus nossos pedidos e preocupações. Filipenses 4:6-7 ensina que, ao orarmos, podemos receber a paz de Deus pra guardar nosso coração e nossa mente em Cristo, mesmo enquanto a situação ainda exige que a enfrentemos.