A Bíblia não usa a expressão “abuso infantil”, mas ensina com clareza que crianças devem ser protegidas e tratadas com cuidado. Jesus as recebeu, deu atenção a elas e as abençoou quando seus discípulos tentaram afastá-las (Marcos 10:13-16). Ferir uma criança não combina com a maneira como ele as tratou.
Isso vale pra agressões físicas, abuso sexual, humilhações constantes, ameaças e outras formas de maus-tratos. A Bíblia condena a violência, a crueldade e o pecado sexual. Ela também dá aos pais uma orientação direta: não tratar os filhos de um jeito que os provoque ou os desanime, mas criá-los com cuidado e orientação (Efésios 6:4; Colossenses 3:21). Ser responsável por uma criança nunca dá a alguém o direito de usar a força, o medo ou a vergonha pra controlá-la.
Por isso, abuso não é disciplina. Corrigir uma criança deve ter como objetivo ajudá-la a aprender e crescer, não descarregar raiva sobre ela nem causar sofrimento. E, quando há abuso sexual, a culpa é sempre de quem o comete — nunca da criança. Deus não exige que uma vítima esconda o que aconteceu, nem que continue perto de quem lhe faz mal.
Se uma criança está em perigo, a prioridade é protegê-la. Conte a alguém capaz de agir e procure as autoridades ou os serviços de proteção à criança. Se você é adulto e suspeita de abuso, não espere ter certeza absoluta pra buscar orientação e fazer a denúncia pelos canais competentes. Apoio pastoral pode ajudar, mas não substitui proteção, atendimento especializado nem a atuação das autoridades.
Se você sofreu abuso, o que aconteceu não foi culpa sua. Você merece ser ouvido, protegido e ajudado. E se alguém abusou de uma criança, precisa parar, ser impedido de causar mais danos e responder pelo que fez. O perdão de Deus pode ser buscado por quem se arrepende, mas arrependimento não apaga a responsabilidade nem torna seguro deixar essa pessoa sozinha com crianças.