Se você está sofrendo abuso, não precisa continuar vivendo com o agressor. Isso vale para agressões físicas, ameaças, violência sexual, humilhações constantes e outras formas de controle que colocam você ou seus filhos em risco. Procure um lugar seguro e peça ajuda a pessoas de confiança e às autoridades. Perdoar alguém não significa permanecer ao alcance dessa pessoa.
A pergunta sobre o divórcio exige um cuidado a mais. Jesus ensinou que o casamento não deve ser desfeito por qualquer motivo e mencionou a imoralidade sexual como fundamento para o divórcio (Mateus 19:3-9). Paulo também disse que, quando um cônjuge incrédulo abandona o outro, o cristão não está obrigado a manter aquela união (1 Coríntios 7:12-15). A Bíblia não traz uma frase que diga expressamente: “O abuso é motivo para o divórcio.” Por isso, cristãos que levam a Bíblia a sério chegam a conclusões diferentes sobre esse ponto.
Alguns entendem que, embora o abuso justifique a separação imediata, o divórcio só teria fundamento nos casos mencionados de forma mais direta nesses textos. Outros entendem que a violência grave e persistente pode ser uma forma de abandono: o agressor pode até continuar na mesma casa, mas deixou de cumprir, de maneira profunda, o compromisso de cuidar e proteger o cônjuge. Essa segunda conclusão é uma interpretação das passagens bíblicas, não uma regra que elas declaram com essas palavras.
Há, porém, coisas que não dependem dessa discussão. O abuso é pecado, e a segurança da vítima vem primeiro. O marido é chamado a amar a esposa, não a tratá-la com dureza ou crueldade (Efésios 5:25-29; Colossenses 3:19). Esses princípios também não dão a uma esposa o direito de maltratar o marido. E, ao orientar casais em conflito, Paulo reconhece a possibilidade de separação (1 Coríntios 7:10-11). A Bíblia não exige que alguém espere por um divórcio para sair de uma situação perigosa.
Também não é responsabilidade da vítima fazer o agressor mudar. Uma promessa de mudança, um pedido de perdão ou a disposição de procurar ajuda não tornam seguro voltar a conviver com ele. Arrependimento verdadeiro precisa aparecer em atitudes consistentes, ao longo do tempo, com responsabilidade pelo que fez. A vítima não deve ser pressionada a voltar, a guardar segredo ou a fazer aconselhamento de casal enquanto houver risco. Ela pode precisar de apoio jurídico, proteção das autoridades e acompanhamento profissional, além do cuidado da igreja.
Portanto, a resposta mais honesta é esta: o abuso justifica buscar proteção e viver separado; quanto ao divórcio, há diferentes entendimentos cristãos sobre como aplicar as passagens bíblicas a um casamento marcado pela violência. Essa diferença não deve ser usada para deixar uma pessoa em perigo. Se essa pergunta tem a ver com a sua vida agora, cuide primeiro da sua segurança e da segurança das crianças. Você não precisa resolver toda a questão do divórcio antes de pedir ajuda.