Em 1 Tessalonicenses 4:3, Paulo está dizendo que quem segue a Cristo deve se afastar das práticas sexuais contrárias à vontade de Deus. Ele não está dizendo que o desejo sexual, por si só, é errado. A questão é o que fazemos com esse desejo.
Na Bíblia, a intimidade sexual tem lugar no casamento. Jesus, ao falar sobre o casamento, retoma a união entre homem e mulher apresentada em Gênesis (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6). Por isso, a orientação cristã evangélica entende que se abster da imoralidade sexual inclui não ter relações sexuais fora dessa união. Isso abrange, por exemplo, o sexo antes do casamento e o adultério. A Bíblia também condena a prostituição (1 Coríntios 6:15-18; Hebreus 13:4).
Mas Paulo não está falando apenas de evitar um ato. Logo depois, ele orienta os cristãos a lidar com o próprio corpo com santidade e honra e a não prejudicar outras pessoas nessa área (1 Tessalonicenses 4:4-7). Isso importa porque escolhas sexuais não dizem respeito só a quem as pratica: elas podem envolver mentira, quebra de confiança, pressão ou o uso de outra pessoa pra satisfazer um desejo.
Jesus também chama atenção pro que acontece antes de uma atitude externa. Em Mateus 5:27-28, ele ensina que alimentar de propósito um olhar de cobiça já é uma questão séria diante de Deus. Existe, porém, uma diferença entre sentir atração ou enfrentar uma tentação e decidir cultivá-la. Ser tentado não é o mesmo que pecar. Abster-se envolve não alimentar fantasias, conversas, imagens ou situações que sabemos que estão nos levando nessa direção.
Na prática, isso pode exigir decisões bem concretas: interromper algo que desperta a cobiça, estabelecer limites num relacionamento e buscar ajuda de um cristão maduro quando a luta estiver difícil. José, por exemplo, saiu de uma situação em que estava sendo pressionado a cometer adultério (Gênesis 39:7-12). A atitude dele mostra que nem sempre a melhor resposta à tentação é ficar ali tentando resistir; às vezes, é sair.
Tudo isso faz parte do que Paulo chama de *santificação*: aprender a viver de um jeito que agrade a Deus, inclusive na maneira de tratar o próprio corpo e as outras pessoas. E, se alguém falhou, a resposta não é esconder o pecado nem concluir que não há mais esperança. É reconhecer o que aconteceu, voltar-se pra Deus e buscar a ajuda necessária pra mudar. Em Cristo, há misericórdia pra quem se aproxima dele (Hebreus 4:14-16).