Abraão não era judeu no sentido histórico da palavra. Ele viveu antes de existir o povo de Israel e muito antes de as pessoas serem chamadas de judeus. Se usamos “gentio” no sentido de alguém que não pertencia ao povo judeu, podemos dizer que Abraão era gentio. Mas há um detalhe importante: na época dele, essa distinção entre judeus e gentios ainda não existia.
Abraão morava entre seus parentes quando Deus o chamou para deixar sua terra. Deus prometeu fazer dele uma grande nação e disse que, por meio dele, famílias de toda a terra seriam abençoadas (Gênesis 12:1-3). Portanto, Abraão não foi escolhido *porque já pertencia* a Israel. Israel ainda surgiria de seus descendentes.
Essa história foi se desenvolvendo ao longo das gerações. O filho por meio de quem Deus continuou a promessa foi Isaque; depois, Jacó, filho de Isaque. Deus deu a Jacó o nome de Israel, e seus descendentes formaram o povo israelita (Gênesis 17:19; 32:28; Êxodo 1:1-7). Séculos mais tarde, “judeu”, palavra ligada a Judá, passou a ser usada para identificar pessoas desse povo.
Por isso, chamar Abraão de “o primeiro judeu” pode ajudar a mostrar que ele foi o antepassado do povo judeu, mas não é uma descrição histórica exata. E chamá-lo de “gentio” também exige cuidado, pois aplica a ele uma distinção que só apareceu depois.
A maneira mais clara de dizer é esta: Abraão foi o homem que Deus escolheu para ser o antepassado de Israel e, por isso, do povo judeu. Ao mesmo tempo, a promessa feita a ele nunca se limitou aos seus descendentes: desde o começo, Deus falou em abençoar, por meio dele, famílias de toda a terra (Gênesis 12:3).