Jesus disse essas palavras porque estava sofrendo de verdade. Na cruz, ele enfrentava uma morte cruel e carregava as consequências dos nossos pecados. Ao mesmo tempo, suas palavras são o começo do Salmo 22, que ajuda a entender seu sofrimento. Mateus registra esse clamor em Mateus 27:46, e Marcos também o menciona em Marcos 15:34.
O Salmo 22 começa com alguém perguntando a Deus por que foi desamparado. É o clamor de uma pessoa que sofre e não vê ajuda chegar. Jesus não estava fingindo sentir essa dor nem apenas recitando um texto. Ele expressou o que vivia naquele momento. E, ao usar as palavras do salmo, mostrou que as Escrituras também ajudavam a entender o que estava acontecendo com ele.
Isso não significa que Jesus tivesse pecado ou que o Pai tivesse deixado de amá-lo. A Bíblia apresenta Jesus como inocente. Ela também ensina que sua morte foi por nós: ele sofreu por causa dos nossos pecados, para que pudéssemos ser reconciliados com Deus (Isaías 53:5-6; 1 Pedro 3:18). Esse é um motivo pelo qual seu sofrimento na cruz foi tão profundo.
Mas precisamos ter cuidado com o que a Bíblia não explica. Ela não diz que o Pai e o Filho deixaram de ser um só Deus, nem descreve exatamente como Jesus experimentou aquele desamparo. Por isso, é melhor não afirmar como certeza que Deus deixou de estar presente ou de amar seu Filho. O que podemos dizer é que o clamor de Jesus foi real, e que ele enfrentou esse sofrimento ao dar a vida por pecadores.
O restante do Salmo 22 também importa. Ele descreve zombaria e pessoas repartindo as roupas do sofredor — acontecimentos que aparecem nos relatos da crucificação (Salmo 22:7-8, 18; Mateus 27:35, 39-43). Mas o salmo não termina em abandono: termina com Deus ouvindo o aflito e com o anúncio de sua vitória.
Então, Jesus não fez aquela pergunta por falta de fé. Ele levou ao Pai sua dor com as palavras das Escrituras. Seu grito mostra o quanto sofreu por nós; e o salmo que ele citou nos lembra que o sofrimento não seria o fim da história. Deus o ressuscitou.