Significa que, por meio de Jesus, podemos nos aproximar de Deus como filhos amados, e não como pessoas estranhas a ele. “Aba” é uma palavra aramaica que significa “pai”. No Novo Testamento, ela aparece junto da palavra grega para pai. A expressão fala de um relacionamento próximo e cheio de confiança. Mas não quer dizer simplesmente “papai”, nem diminui o respeito que devemos a Deus.
Jesus usou “Aba, Pai” quando orou no jardim do Getsêmani, pouco antes de ser preso (Marcos 14:36). Ele estava profundamente angustiado e pediu ao Pai que, se fosse possível, o poupasse do sofrimento que viria. Ainda assim, deixou claro que queria fazer a vontade dele. Isso nos ajuda a entender a expressão: Jesus falou com confiança e sinceridade, sem deixar de obedecer ao Pai.
Mas como nós podemos chamar Deus dessa maneira? A Bíblia diz que isso acontece por meio de Jesus. Quem o recebe e crê nele recebe o direito de se tornar filho de Deus (João 1:12-13). Isso não significa que Deus deixou de ser o Criador de todas as pessoas. Significa que ser filho de Deus nesse sentido próximo e familiar é um relacionamento que ele nos dá por meio de Cristo.
Paulo explica que Deus nos recebe como filhos e que o Espírito Santo nos leva a chamá-lo de “Aba, Pai” (Romanos 8:15-16; Gálatas 4:6-7). Por isso, podemos falar com Deus sobre nossos medos, confessar nossos pecados e pedir ajuda, sabendo que ele nos acolhe por causa de Jesus. Não precisamos fingir que está tudo bem pra nos aproximarmos dele.
Ser filho, porém, não significa ter uma vida sem sofrimento. Romanos 8:17 fala tanto da herança que os filhos de Deus receberão com Cristo quanto do sofrimento que podem enfrentar com ele. A segurança do cristão não está na ausência de dificuldades, mas no fato de pertencer a Deus, agora e no futuro.
Então, chamar Deus de “Aba, Pai” é reconhecer esse presente: o Deus santo nos recebe como filhos por meio de Jesus e nos convida a confiar nele, até nos momentos em que obedecer é difícil.