Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que são as duas filhas da sanguessuga em Provérbios 30:15?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

As duas filhas da sanguessuga não são personagens nem uma referência a filhotes de verdade. É uma imagem criada por Agur, o autor desse provérbio. A sanguessuga se alimenta do sangue de outros seres vivos; suas “filhas” são apresentadas gritando por mais. A ideia é simples: “Dê! Dê!” Nunca parece bastar.

Logo depois, Agur fala de três coisas — e então de quatro — que nunca dizem “basta”: a sepultura, o ventre de uma mulher que deseja ter filhos mas não consegue, a terra ressecada que absorve água e o fogo que continua queimando enquanto encontra combustível (Provérbios 30:15-16). Essa maneira de passar de três pra quatro é comum no capítulo. Por isso, não é preciso tentar descobrir quais seriam, entre as quatro, as *duas* filhas. O texto não as identifica separadamente; o importante é o pedido insistente por mais.

O contexto também ajuda a entender por que Agur usa essa imagem. Pouco antes, ele fala de pessoas que tratam os pobres e necessitados com crueldade, como se os devorassem (Provérbios 30:14). A sanguessuga combina com essa descrição: ela recebe às custas de outro. Assim, o provérbio serve como um alerta contra a ganância, especialmente quando o desejo de ter mais leva alguém a prejudicar outras pessoas.

Isso não quer dizer que todas as quatro coisas citadas sejam pecados. O sofrimento de uma mulher que não consegue ter filhos, por exemplo, não é ganância. Agur reúne imagens bem diferentes pra mostrar como é forte a ideia de algo que parece não chegar à satisfação. A lição sobre a ganância vem da imagem da sanguessuga e do contexto em que ela aparece.

O próprio Agur mostra uma atitude diferente quando pede a Deus o necessário pra viver, em vez de buscar riqueza sem medida (Provérbios 30:8-9). Paulo ensina algo parecido ao dizer que a vida com Deus, acompanhada de contentamento, é um grande ganho (1 Timóteo 6:6). Em outras palavras, o alerta das “duas filhas” é pra não deixar que o desejo de ter mais passe a mandar em nós — nem nos faça tirar dos outros aquilo que queremos pra nós.