Esses três nomes parecem complicados, mas apontam pra perguntas bem simples: posso chegar a essa conclusão só pelo raciocínio? Preciso conferir os fatos? Ou estou partindo de um caso para mostrar que outro é ainda mais convincente?
Um argumento a priori não depende de observar um caso particular pra chegar à conclusão. Se alguém diz que uma pessoa é solteira, por exemplo, já sabemos que ela não é casada: isso faz parte do significado de “solteira”. Mas atenção: o raciocínio não nos diz *se João é solteiro*. Pra saber isso, precisamos conhecer a situação de João.
É aí que entra o a posteriori. Esse nome é usado quando precisamos de informações sobre o que aconteceu ou sobre como as coisas são. “João é solteiro” e “choveu ontem” são afirmações que não podemos confirmar apenas pensando. Temos de verificar os fatos.
A Bíblia nos ajuda a perceber essa diferença. Em 1 Coríntios 15:12-19, Paulo mostra o que aconteceria *se* não houvesse ressurreição dos mortos: nesse caso, Cristo também não teria ressuscitado, e a fé cristã perderia seu fundamento. Essa parte é um raciocínio sobre as consequências de uma hipótese. Mas saber se Cristo de fato ressuscitou é uma questão sobre um acontecimento real; não basta deduzi-lo. Por isso Paulo também fala das pessoas a quem Cristo apareceu (1 Coríntios 15:3-8).
Já a fortiori é um tipo diferente de argumento. É o raciocínio do “quanto mais”: se algo é verdade num caso, temos uma razão ainda mais forte pra esperar que seja verdade em outro. Jesus usa esse raciocínio em Mateus 7:11. Ele diz que pais humanos, mesmo com suas falhas, sabem dar coisas boas aos filhos. Quanto mais o Pai celestial dará coisas boas aos que lhe pedirem. O ponto não é que Deus seja apenas um pai humano melhorado, mas que podemos confiar nele ainda mais.
Hebreus 9:13-14 usa uma comparação parecida. Se os antigos rituais de purificação tinham seu efeito dentro da antiga aliança, quanto mais o sacrifício de Cristo é capaz de purificar a consciência. O autor parte do que seus leitores conheciam pra ajudá-los a entender o valor maior da obra de Jesus.
Então, dá pra guardar a diferença assim: a priori pergunta o que podemos concluir pelo raciocínio, sem conferir novos fatos; a posteriori exige que examinemos os fatos; e a fortiori usa um caso para argumentar que algo vale *ainda mais* em outro. São maneiras de pensar que também aparecem quando lemos e explicamos a Bíblia — mesmo que o texto bíblico não use esses nomes.