João está falando de Jesus antes de ele nascer como homem. Ele chama Jesus de Verbo, ou Palavra, e diz que, quando todas as coisas começaram a existir, o Verbo já existia. Depois, João acrescenta duas afirmações que precisam ser entendidas juntas: o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus (João 1:1).
Dizer que o Verbo estava com Deus mostra que ele não é a mesma pessoa que o Pai. Dizer que o Verbo era Deus mostra que ele não é apenas uma criatura próxima de Deus: ele é Deus. João não está ensinando que existem dois deuses. Ele distingue o Filho do Pai, sem deixar de afirmar que o Filho é Deus.
O restante do começo do Evangelho ajuda a entender isso. João diz que todas as coisas foram feitas por meio do Verbo e que nada do que foi feito veio a existir sem ele (João 1:3). O Verbo, portanto, não é apresentado como parte das coisas criadas. E, alguns versículos depois, João conta quem ele é: o Verbo se tornou humano e viveu entre nós (João 1:14). João está falando de Jesus Cristo.
Às vezes surge a dúvida: já que, no texto grego, a palavra traduzida por “Deus” não vem acompanhada de artigo nessa última frase, João poderia estar dizendo que o Verbo era “um deus”? A ausência do artigo, por si só, não exige essa tradução. No contexto, João está dizendo o que o Verbo é, ao mesmo tempo que mantém a distinção entre ele e aquele com quem estava. Mais adiante, o próprio Evangelho apresenta Tomé chamando Jesus de seu Senhor e seu Deus (João 20:28).
Assim, João 1:1 nos ensina algo profundo de um jeito breve: Jesus não começou a existir quando nasceu. Ele já existia antes da criação, estava com o Pai e é Deus. Quando Jesus veio ao mundo, não foi simplesmente um mensageiro falando sobre Deus. Foi o Filho vindo até nós como ser humano para nos mostrar quem Deus é (João 1:14, 18).