Os cristãos não estão obrigados a guardar a lei que Deus deu a Israel como condição para pertencer ao seu povo. Isso inclui, por exemplo, os sacrifícios de animais, as regras sobre alimentos e a circuncisão. Mas isso não significa que o Antigo Testamento perdeu seu valor ou que agora podemos viver de qualquer jeito.
Deus deu aquela lei a Israel num momento específico da sua história. Ela ensinava o povo a adorar a Deus, a tratar os outros com justiça e a viver de modo diferente das nações ao redor. Também mostrava a gravidade do pecado e a necessidade de perdão. Quando Jesus veio, ele não tratou a lei como um erro a ser descartado. Ele disse que veio cumpri-la, não destruí-la (Mateus 5:17). Sua vida, morte e ressurreição são essenciais pra entender por que os cristãos já não oferecem sacrifícios pelo pecado: Jesus ofereceu a si mesmo de uma vez por todas (Hebreus 10:1-14).
Essa questão surgiu logo no começo da igreja. Quando pessoas de outros povos passaram a crer em Jesus, alguns queriam exigir que elas fossem circuncidadas e guardassem a lei de Moisés. Os apóstolos não fizeram dessa lei uma obrigação pra elas (Atos 15:1-29). Paulo também ensina que ninguém é aceito por Deus por cumprir a lei, mas pela fé em Jesus Cristo (Gálatas 2:16).
Então, o que orienta a vida do cristão? Os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. Jesus resumiu o que Deus espera de nós em dois mandamentos: amar a Deus e amar o próximo (Mateus 22:37-40). Esse amor não é só um sentimento. Quem ama o próximo não o rouba, não mente pra prejudicá-lo e não comete adultério. Por isso, o Novo Testamento continua ensinando que essas coisas são erradas (Romanos 13:8-10; Efésios 4:25, 28).
Os Dez Mandamentos ajudam a perceber a diferença. Eles revelam verdades importantes sobre Deus e sobre a maneira de tratar as pessoas. Muitos de seus mandamentos aparecem novamente no ensino dado aos cristãos. Já a guarda do sábado não é imposta no Novo Testamento como uma exigência pra todos os cristãos. Paulo orienta que ninguém seja julgado por questões ligadas a dias especiais e reconhece que cristãos podem ter entendimentos diferentes sobre a observância de certos dias (Colossenses 2:16-17; Romanos 14:5-6).
Portanto, não precisamos escolher entre dois extremos: guardar toda a lei de Israel ou ignorar o Antigo Testamento. Nós o lemos como Palavra de Deus, aprendemos com ele e procuramos entender como ele nos conduz a Cristo. Mas seguimos Jesus sob a nova aliança, sem tentar conquistar o favor de Deus por meio das antigas exigências da lei. A obediência cristã vem da fé e se mostra, de maneira concreta, no amor a Deus e às pessoas.