Paulo não está dizendo que a lei de Deus é ruim, nem que ela criou o pecado. Ele está dizendo que, quando Deus mostra claramente o que é certo, o pecado aparece com mais clareza como desobediência. A lei revela nossa culpa, mas não consegue, por si só, mudar nosso coração ou nos livrar da morte.
O pecado já existia antes de Deus dar a lei a Israel. Paulo deixa isso claro em Romanos 5:12-14. Então, em que sentido a lei lhe dá “força”? Pense no mandamento contra a cobiça. Alguém pode desejar o que pertence a outra pessoa sem perceber a gravidade desse desejo. Quando o mandamento diz que não se deve cobiçar, fica claro que aquele desejo contraria a vontade de Deus. A lei não inventou a cobiça; ela mostrou o que a cobiça é. Paulo usa justamente esse exemplo em Romanos 7:7.
Ele também explica que o pecado se aproveita do mandamento: o ser humano pode sentir ainda mais vontade de fazer aquilo que sabe ser proibido (Romanos 7:8-11). O problema, portanto, não está no mandamento, que Paulo chama de santo e bom, mas no pecado que existe em nós (Romanos 7:12-13).
Isso ajuda a entender por que Paulo fala da lei ao tratar da morte em 1 Coríntios 15. O pecado traz a morte, e a lei deixa evidente que somos culpados diante de Deus. Ela mostra o que devemos fazer, mas não pode apagar nossa desobediência nem nos dar vida. Por isso, ninguém consegue vencer o pecado e a morte simplesmente tentando cumprir mandamentos.
A resposta de Paulo não termina aí. No versículo seguinte, ele agradece a Deus pela vitória que vem por meio de Jesus Cristo (1 Coríntios 15:57). Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou. Assim, quem confia nele recebe perdão e a esperança da ressurreição. A lei mostra com clareza o problema que não conseguimos resolver sozinhos; Cristo é quem nos salva.